<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709</id><updated>2012-02-15T23:21:29.261-08:00</updated><title type='text'>Absorto em Absurdos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>49</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-22357881474235900</id><published>2011-09-27T20:39:00.001-07:00</published><updated>2011-09-29T18:13:46.095-07:00</updated><title type='text'>A última prova de Renato.</title><content type='html'>&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CLeonardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CLeonardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CLeonardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face {font-family:"Cambria Math"; panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:roman; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;}@font-face {font-family:Calibri; panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; mso-font-charset:0; mso-generic-font-family:swiss; mso-font-pitch:variable; mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {mso-style-unhide:no; mso-style-qformat:yes; mso-style-parent:""; margin-top:0cm; margin-right:0cm; margin-bottom:10.0pt; margin-left:0cm; line-height:115%; mso-pagination:widow-orphan; font-size:11.0pt; font-family:"Calibri","sans-serif"; mso-fareast-font-family:Calibri; mso-bidi-font-family:"Times New Roman"; mso-fareast-language:EN-US;}.MsoChpDefault {mso-style-type:export-only; mso-default-props:yes; font-size:10.0pt; mso-ansi-font-size:10.0pt; mso-bidi-font-size:10.0pt; mso-ascii-font-family:Calibri; mso-fareast-font-family:Calibri; mso-hansi-font-family:Calibri;}@page WordSection1 {size:612.0pt 792.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; mso-header-margin:36.0pt; mso-footer-margin:36.0pt; mso-paper-source:0;}div.WordSection1 {page:WordSection1;}--&gt;&lt;/style&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Pra começar ninguém conhecia seguramente sua origem. Renato foi encontrado na rua, com 4 anos de idade, sem saber o nome dos pais, e sem saber explicar como e onde tinha vivido até então. Sabia apenas seu próprio nome, falava pouco e em geral era tímido, mas com algum tempo no orfanato foi ganhando confiança em si mesmo e cada vez se abrindo mais. Continuava, no entanto, sem se lembrar do que se passara até ser encontrado e levado para o orfanato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Renato não tinha um relacionamento muito bom com as outras crianças, porque estas, em sua maioria, eram levadas ao orfanato por obrigação e sempre que podiam fugiam de volta para as ruas. Por seu temperamento manso, ingenuidade e bondade Renato sofria um pouco nas mãos das outras crianças, mas em pouco tempo estas fugiam e eram substituídas por outros menores abandonados. Renato, diferente dos outros, gostava do orfanato e encontrou nos funcionários que lá trabalhavam uma família.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Em especial com um faxineiro chamado Vicente, senhor já com seus 60 anos, Renato desenvolveu uma forte amizade; os dois tinham uma relação quase de pai e filho. Foi Vicente que levou Renato pela primeira vez para o centro de treinamento para crianças carentes, e também cuidou de sua educação.&amp;nbsp; No centro esportivo Renato começou a treinar na pista de atletismo, os 100 e 200 metros rasos.&amp;nbsp; Com pouco tempo de treinamento Renato demonstrou uma velocidade surpreendente, tornando-se não apenas o melhor velocista do centro de treinamento como também vindo a ser vitorioso em todos os campeonatos locais e regionais que competiu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Certo dia, quando ainda treinava no precário centro para crianças carentes algo inesperado se sucedeu. Como a chuva tinha deixado a pista de corrida inutilizável por causa da lama e das poças, Vicente, que era o treinador do centro esportivo, colocou as crianças velocistas para arremessarem pesos com os outros atletas mirins. Apesar dessa categoria de atletismo não agradar a Renato como as provas de corrida ele se saiu surpreendentemente bem e com um dia de treinamento já quase igualava os jovens que só treinavam nessa categoria.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;A partir desse dia, o velho Vicente entendeu que estava diante de algo diferente. Resolveu a partir de então testar Renato em todas as categorias do atletismo que fosse possível. Renato não frustrou as suas expectativas, se tornando o fundista com os melhores tempos, seja em 800 metros ou na corrida de 1500 metros. Renato se aplicou no salto com vara, salto em distância, salto triplo e em todas as categorias que disputava, fazia os melhores tempos e as melhores marcas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Quando completou 17 anos Renato foi para a primeira olimpíada representando seu país e trouxe de volta mais de 20 medalhas de ouro, quebrou alguns recordes estabelecendo novas marcas e se tornou sensação em todo mundo. Renato era um fenômeno inexplicável, só não ganhava provas coletivas porque seus companheiros o atrapalhavam. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Mas foi nesse momento, no auge da sua carreira, que em uma entrevista Renato conseguiu estabelecer uma explicação para seu sucesso nos esportes, e sua resposta foi o início de um processo de rápida decadência. Perguntado sobre como ele explicava sua surpreendente performance em categorias esportivas tão diversas, assim ele respondeu: &lt;i&gt;“Eu não sou um atleta, apenas um homem pode ser um atleta, eu sou outra coisa, eu sou um herói&amp;nbsp; à moda dos gregos, o resto da humanidade não são meus congêneres, eu sou irmão de Hércules e de Aquiles. De alguma forma, eu não sei bem como, mesmo não sendo um deus, eu trago algo de divino em mim, e isso é terrivelmente solitário e assustador.”&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Essa declaração de Renato continha uma verdade incômoda e inevitável, e fez com que o mundo despertasse para essa dimensão perigosa e ameaçadora de sua existência. Não era sua intenção menosprezar a humanidade, antes disso Renato lamentava não poder fazer parte dela, mas de alguma forma a expressão manifesta pelas suas palavras de sua natureza sobre-humana causou uma impressão profunda e definitiva no resto das pessoas comuns. A resposta imediata da população em geral diante dessa declaração foi a aversão completa e absoluta em relação a Renato. Impuseram-lhe testes biológicos e psicológicos, mas todos atestavam pela humanidade de Renato. Não era um alienígena e não era um mutante, apesar de seus feitos sua estrutura física não diferia em nada da de qualquer outro ser humano. Mas de qualquer forma, com a auto-consciência manifesta de sua superioridade ele nunca mais seria considerado humano pelas outras pessoas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Antes das olimpíadas seguintes diversos países entraram com uma representação contra a participação de Renato nos jogos. Mesmo a população do seu país estava contra a sua participação, e o governo na figura do comitê olímpico nacional o aconselhou a não se inscrever nas provas preliminares para as olimpíadas seguintes. Renato não queria abrir mão daquele veículo que o havia incluído no mundo, mesmo que agora ele o afastasse das demais pessoas. Conseguiu por fim, negociar sua participação, afinal, não existia nenhum argumento médico ou científico que o impedisse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Renato conseguiu se classificar em primeiro lugar em todas as categorias que se inscreveu e nos jogos ficou claro que a oposição de toda a humanidade à sua participação seria implacável. Ganhando todas as medalhas de ouro das competições que participava de baixo de vaias e xingamentos, Renato seguiu competindo, até chegar a prova de salto triplo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Nessa prova, chegada à final, Renato correu para vencer seus oponentes, deu o primeiro passo ouvindo os xingamentos e a gritaria que tentava desconcertá-lo, quando deu o segundo passo pôde ouvir com distinção cada voz do estádio que o vaiava e cada insulto lançado contra ele, sentiu o ódio coletivo cair sobre seus ombros, e finalmente depois do terceiro veio o salto. Esse salto durou uma eternidade para Renato, em câmera lenta ele decidia se iria empatar com a melhor marca de seus oponentes e assim tentar propor uma trégua com a humanidade, ou se iria se humilhar e deixar outro ganhar caindo antes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Mas resolveu que não, sabia que isso não seria suficiente, que a fraude seria óbvia e ofensiva e o orgulho da humanidade diante desse gesto compassivo ficaria ferido gerando uma revolta ainda maior contra a sua pessoa. Ainda, tinha sido graças à sua retidão e competência no atletismo que ele havia ganhado a simpatia de todos, que ele tinha conquistado um lugar no mundo, e agora, por causa dela se via deslocado de novo, sem lugar. Renato seria coerente consigo mesmo, e deixaria a humanidade mudar de opinião e ser arbitrária ao seu próprio gosto. Renato não sentiu vontade de cair antes das marcas do seus oponentes, nem em cima das marcas de seus oponentes, nem depois dessas marcas... Renato não queria mais estar ali, então ele não pousou, seu salto se transformou em um vôo inesperado; observado por milhares de expectadores atônitos, e milhões que assistiam ao evento pela televisão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Renato voou para longe dali e nunca mais ninguém viu ou ouvir falar dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.youtube.com/watch?v=SFtBjjXHPcU&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-22357881474235900?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/22357881474235900/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=22357881474235900' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/22357881474235900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/22357881474235900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2011/09/ultima-prova-de-renato.html' title='A última prova de Renato.'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-3474433746197045184</id><published>2011-09-14T01:25:00.000-07:00</published><updated>2011-09-29T18:00:03.093-07:00</updated><title type='text'>O céu dos passarinhos</title><content type='html'>&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CLeonardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CLeonardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CLeonardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face {font-family:"Cambria Math"; 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Lembro ainda que quando vivíamos em uma cidade vizinha a que meu pai trabalhava, todos os dias eu, minha mãe, e meu irmão pegávamos carona com ele até a cidade principal para ele trabalhar e pra minha mãe ficar na casa da minha avó conosco.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman , serif; font-size: 12pt;"&gt;Depois de alguns anos nos mudamos pra cidade principal e viemos a morar no mesmo bairro que a minha avó, a apenas quinze minutos de caminhada da casa dela. Passei boa parte de minha infância e juventude lá por conta disso, em tardes agradáveis com cochilos e comidas.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman , serif; font-size: 12pt;"&gt;Certo dia, não sei se por idéia da minha mãe ou dos meus tios, cismaram de colocar um passarinho na casa da minha avó. Ela era contra. Desde que perdera o cachorro da família, o “Maneco”, muitos anos antes, ela só se interessava por plantas e não tinha nenhuma vontade de ter outro animal de estimação.&amp;nbsp; Colocou objeções: “Vai dar trabalho, vai fazer sujeira, não tem onde botar...” – como se uma gaiola fosse um trambolho enorme.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman , serif; font-size: 12pt;"&gt;Acabou por pendurar no banheiro.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman , serif; font-size: 12pt;"&gt;O que se seguiu foi algo inacreditável. É previsível que ela tenha se apegado ao passarinho, mas além disso, a presença do canarinho resultou numa inversão na minha relação com minha avó. Ela chegava a todo momento na sala contando animada o que o passarinho fazia, como se fosse uma criança e fazia muitos elogios a ele: “Como canta bonito... e é tão pequenininho, tão delicado...”. E eu me comportava com ela como se fosse um adulto, pois já estava acostumado a ter passarinho em casa, desde bem pequeno, por escolha do meu pai e nenhuma daquelas observações me era novidade. Me senti um pouco orgulhoso, cheio de mim, por ter naturalidade em relação ao passarinho, enquanto que ela não.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman , serif; font-size: 12pt;"&gt;Lembro que foi tudo muito rápido, talvez no mesmo dia em que minha avó ganhou o passarinho ou talvez no dia seguinte, enquanto estava na sala de sua casa, ouvi um estrondo e o grito dela; “Ai, meu Deus! Ai! Ai, me ajuda L.!”. Ela chegou na sala em estado histérico cobrindo o rosto com as mãos.&amp;nbsp; Assustado eu corri até o banheiro para ver que a gaiola tinha despencado e que o passarinho se debatia no lado da grade, que agora estava de encontro com o chão, e que sangrava.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman , serif; font-size: 12pt;"&gt;Eu ajeitei a gaiola ainda a tempo de vê-lo no fundo de jornal ofegante, assustado e ferido por poucos instantes antes de morrer. Quando cheguei à sala, minha avó me esperava aflita me olhando, seu olhar buscava uma resposta. Nessa hora senti todo o peso de ser adulto. Não sabia bem como dar a notícia a ela, e acabei falando de qualquer jeito; “Ele não conseguiu não, vó...”.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Ela desatou a chorar e a falar acelerado, se sentindo culpada pelo acidente, se desculpando e se lamentando e sofrendo. E eu, ainda sem saber ser adulto, tentando sê-lo falei assim pra minha avó: “Calma vó, ele tá bem agora, ele tá num lugar bom, com bastante alpiste e muitos passarinhos pra ele brincar, calma, agora já passou, calma...”&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Assim que eu terminei de falar essas palavras eu percebi que eu não tinha bem certeza se isso era verdade, se existia mesmo um céu de passarinhos, mas enquanto eu refletia sobre isso, em instantes fugazes, eu passei a acreditar. “É... bem que poderia existir um céu dos passarinhos.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman , serif; font-size: 12pt;"&gt;Hoje, olhando pra trás, vejo como se formam as crenças; da necessidade ao discurso, do discurso à dúvida, da falta de sentido ao auto-convencimento. E foi assim, que passei de um discurso de consolo urdido pela necessidade para a duvida se esse discurso era ou não verdadeiro, e por fim à certeza de que a história que eu mesmo tinha inventado, a alguns minutos atrás era, com certeza, verdade.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Tive que cuidar de tudo o mais que envolvia a morte do passarinho, porque minha avó não tinha estrutura para isso. Joguei o passarinho fora, arrumei a gaiola, limpei o chão e mesmo sem saber fazer nada disso direito, digo, sem saber ser adulto, até que eu não me saí mal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman , serif; font-size: 12pt;"&gt;Depois disso me sentei na sala com minha avó que fitava o vazio, ainda em estado de semi-choque.&amp;nbsp; De vez em quando suspirava, ainda choramingava um pouco, baixinho. E foi ela que começou a falar comigo, ainda vacilante, como se ensaiasse, como se estivesse aprendendo a falar: “Ele... ele está melhor né? Acho... que agora está tudo bem com ele...” Eu respondi que sim com a cabeça, mais uma vez sabendo que era necessário confirmar, era o melhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman , serif; font-size: 12pt;"&gt;Aos poucos fui distraindo ela, e dali a alguns minutos ela já até riu um pouco de umas palhaçadas que eu fiz. E assim passou o final de mais uma tarde na casa dela.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,&amp;quot;serif&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;E depois disso, é claro, não houve alma nesse mundo que convencesse minha avó a ter outro passarinho, ou qualquer outro animal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-3474433746197045184?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/3474433746197045184/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=3474433746197045184' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/3474433746197045184'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/3474433746197045184'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2011/09/o-ceu-dos-passarinhos.html' title='O céu dos passarinhos'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-8471455989771779812</id><published>2010-10-23T21:38:00.000-07:00</published><updated>2010-11-27T14:53:43.656-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jogando fora todos os sonhos mais uma vez sou só corpo, mais uma vez sem memória, mais uma vez sem sentido. Tenho sentido um propósito maior, maior que a própria vida. Mais uma vez a força, mais uma vez o medo de não estar a altura do destino que escolhi. Ou escolheram – não é possível precisar o quanto há de voluntário e o quanto há de contingente nessa condição. Agora nada mais é minha vontade, mas tudo é vontade de vida que não me pertence. Nunca pertenceu, nunca fui o timoneiro. Mas já admirei o horizonte, e a luz que emanava era insuportável. Desviei o olhar, não tenho mais olhos, agora sou apenas corpo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto o calor, sinto o frescor da brisa, sinto os meus sonhos que flutuam em torno de mim roçar de leve minha pele e arrepiar. Sinto uma aura que me circunda, e é tão volátil que desaparece com um espirro. Sinto que não há interior que baste pro que me espera, sinto que tenho que ser só sentido. Os sonhos devem estar a flor da pele, não cabem dentro de mim. Os sonhos não são meus; são sussurros do vento, são borbulhar de águas, são olhar de águia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Serena revolta que me atinge, sombria vibração que balança meu corpo; é a respiração da terra. De novo sou um sopro grave – expiro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De novo sou novo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-8471455989771779812?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/8471455989771779812/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=8471455989771779812' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8471455989771779812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8471455989771779812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/10/o-sonho-que-nasce-do-corpo-que-morde.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-7153438923721675125</id><published>2010-08-11T18:19:00.000-07:00</published><updated>2010-08-16T18:05:57.641-07:00</updated><title type='text'>A incrível história do intrépido caçador de formigas e seu insólito fim</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo começou com uma brincadeira perversa quando ele era criança; usando lentes de aumento esturricava formigas desavisadas que cruzavam todos os dias o longo caminho entre o canteiro ocidental e seu formigueiro na borda sul. Entre seus amigos ele nem era considerado o mais cruel, já que as outras crianças se divertiam torturando gatos e outros animais maiores; no entanto, entre as formigas do formigueiro sul ele passou a ser conhecido como O Fogo do Céu, que ataca sem aviso ou clemência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já adolescente ele se deparou com o maior desafio de sua vida até então; enfrentou uma enorme tropa de saúvas vermelhas descalço em um terreno baldio e, apesar de todo picado, conseguiu exterminá-las todas. Sua fama se espalhava por vastas terras e diferentes espécies de formigas comentavam do terror - agora sem mais nomeá-lo -, cada uma de seu modo, cada uma em sua língua. Também entre as pessoas sua fama se alastrava: uma tia sua, por exemplo, ao saber de sua aptidão e gosto o convocou para acabar com a praga que se instalara em seu quintal - ou seria o seu quintal que se instalara sobre a praga? Não faz diferença, no final das contas...- oferecendo-lhe doces como forma de pagamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A essa altura o caçador de formigas já conhecia pesticidas mas não os utilizava por motivos éticos - seria o remédio a matar as formigas e não ele -, mas isso não significa que não utilizasse métodos genocidas. No quintal de sua tia, após rastrear os caminhos abertos pelas formigas no gramado, e através deles, descobrir o formigueiro em que se escondiam se decidiu por um ataque fulminante, e após regar o formigueiro com álcool ateou fogo no ninho da praga. (Era a primeira vez que utilizava essa método repetido em muitas outras oportunidades.) Para fizalizar seu serviço, cutucou o formigueiro com um galho para revelar em seu íntimo larvas indefesas e formigas operárias se revirando no fogo ardente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse e em muitos outros massacres promovidos pelo caçador de formigas utilizando fogo, a ira das formigas se ajuntou diante do horror de encontrar sua casa transformada em um inferno em brasa e cinza, e o que parecia improvável aconteceu; diferentes espécies de formigas formaram uma confederação buscando vingança e resistência contra o Inimigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certo dia ao seguir um rastro deixado na mata de propósito pelas formigas, o caçador se encontrou em um pequeno vale, e viu surgir contra o sol, em seu entorno um exército formado por bilhões de formigas de todos os tamanhos, cores, e formatos. Lideradas pelas grandes formigas guerreiras conhecidas como Grilo Louco e Besouro Sentado a multidão de formigas avançou contra seu carrasco de outrora cobrindo cada milímetro de sua pele com dolorosas picadas. O caçador tombou, enorme, ao chão, causando estrondo e se debateu até não poder mais e finalmente silenciar. Sua pele foi tão picada que adquiriu uma textura rugosa e grossa, e também uma tonalidade escura, enquanto que as extremidades de seus membros fora devorada deixando de resto apenas pontas secas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até hoje pode ser visto por quem passa nesse sítio um tronco de árvore tombado no chão, cujos cotocos de galhos se assemelham a quatro membros humanos congelados enquanto se debatiam em agonia. Esse tronco é o que restou do caçador.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-7153438923721675125?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/7153438923721675125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=7153438923721675125' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/7153438923721675125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/7153438923721675125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/08/incrivel-historia-do-intrepido-cacador.html' title='A incrível história do intrépido caçador de formigas e seu insólito fim'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-8626011666362099688</id><published>2010-07-19T11:56:00.001-07:00</published><updated>2010-07-19T11:56:45.760-07:00</updated><title type='text'>Prólogo</title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;    &lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:"Cambria Math";	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;}@font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-priority:1;	mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin-top:0cm;	margin-right:0cm;	margin-bottom:10.0pt;	margin-left:0cm;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	mso-bidi-font-size:10.0pt;	font-family:"Calibri","sans-serif";	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	mso-bidi-font-size:10.0pt;	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}.MsoPapDefault	{mso-style-type:export-only;	margin-bottom:10.0pt;}@page Section1	{size:612.0pt 792.0pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:36.0pt;	mso-footer-margin:36.0pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu era sonho e cem vezes acordei.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Na madrugada do dia 7 de agosto de 1989 o advogado criminalista Júlio Castilho adentrou os portões do complexo penitenciário que fica no distrito de Oirapuia – a trinta quilômetros da cidade de Mantosos –&amp;nbsp; para visitar seu cliente, o prisioneiro Joel Freire, acusado de homicídio. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O preso acordou de seu sonho em que era o advogado criminalista chamado Júlio Castilho para se surpreender sendo apenas um nome escrito na carta enviada por Maria Félix das Dores à sua irmã, Matilde Félix Fernandes, contando do amor que sentia por aquele homem que nunca tinha visto e só conhecera de ouvir falar.&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Calibri&amp;quot;,&amp;quot;sans-serif&amp;quot;; font-size: 11pt;"&gt;Por mais que não se saiba nada sobre os eventos relatados acima, tomaram parte deles o carcereiro Antônio José das Flores e o carteiro Giusepe Farias, mas nenhum deles pode dar testemunho a favor da veracidade desses fatos uma vez que nem um nem outro tinham acesso às informações contidas nas cartas ou nos sonhos dos presidiários. Ele eram apenas os guardiões de um mistério que, apesar de não ter começo, tem seu fim planejado para o dia 13 de março de 2001&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-8626011666362099688?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/8626011666362099688/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=8626011666362099688' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8626011666362099688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8626011666362099688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/07/prologo.html' title='Prólogo'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-3528661471610868026</id><published>2010-06-06T18:19:00.000-07:00</published><updated>2010-06-06T18:19:50.496-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá do alto só podia se ver o campo limpo. Mais de dez léguas caminhei para alcançar o lugar onde construí minha morada. Do lado de cá, atrás do morro Deus ergueu a floresta onde eu caço a madeira pra construir o curral das cabras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois do inverno - quando já começava a esquentar - as cabras começaram a desaparecer; era a onça. Resolvi tomar uma atitude com temor da ira que despertaria o atentado contra ser tão majestoso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Peguei meu rifle e saí com o sol ainda alto para me empuleirar numa posição boa. Passei dois dias e duas noite no alto da árvore esperando, e a onça não aparecia; astuta, pressentiu minha presença e se esquivou do perigo - pensei comigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na terceira noite, com a lua alta, a onça apareceu com seu couro tigrado e antes que eu pudesse fazer mira ela me fitou dentro dos olhos lançando seu encanto felino sobre mim. Fiquei paralisado com o olhar que me atravessava, o rifle me escorreu pelas mãos e foi se perder nos arbustos abaixo da árvore. Ela se virou e seguiu seu caminho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia seguinte, quando o sol nasceu, fui ver as cabras. Menos duas; sobraram só as carcaças. Não podendo defendê-las resolvi por me oferecer em sacrifício.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na noite do mesmo dia caminhei floresta adentro desarmado para me render ao inimigo. A lua, ainda cheia, alumiava o caminho por entre as folhas das árvores. Senti que ela me farejava, mas bicho superior que é, não armou tocaia - me encarou sem artifício. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De novo lançou seu olhar assassino dentro de mim, me atravessando. Deu o bote e me derrubou no chão, mas não cravou suas garras em mim; ficou me encarando longamente e de perto senti seu hálito de carne fresca. Era doce. Enterrei meus dedos em seus cabelos e nos amamos ali, no chão da floresta, entre folhas secas e galhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de saciada ela me devorou, e agora corremos juntos pelas pradarias e florestas caçando cabras e qualquer animal que a terra nos ofereça.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-3528661471610868026?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/3528661471610868026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=3528661471610868026' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/3528661471610868026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/3528661471610868026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/06/la-do-alto-so-podia-se-ver-o-campo.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-8842726661857649721</id><published>2010-05-31T14:42:00.001-07:00</published><updated>2010-08-16T19:35:14.839-07:00</updated><title type='text'>O último pecado da humanidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;    &lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:"Cambria Math";	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;}@font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-priority:1;	mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin-top:0cm;	margin-right:0cm;	margin-bottom:10.0pt;	margin-left:0cm;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	mso-bidi-font-size:10.0pt;	font-family:"Calibri","sans-serif";	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	mso-bidi-font-size:10.0pt;	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}.MsoPapDefault	{mso-style-type:export-only;	margin-bottom:10.0pt;}@page Section1	{size:612.0pt 792.0pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:36.0pt;	mso-footer-margin:36.0pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No mundo de 2133 d.C. todas as medidas paliativas tomadas no último século para contornar a questão ambiental foram consideradas com seu prazo de eficácia expirado. Se tornou nececessário uma solução final.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nesta sociedade futurista a elite intelectual e política conseguiu com medidas saneadoras resolver boa parte dos problemas das grandes cidades. Com a reciclagem de todo material produzido o disperdício tangenciava o limite mínimo e assim, a Terra se recuperava a passos largos do grande dano causado pelas guerras e a equivocada reconstrução que se seguiu na segunda metade do século XX e nas primeiras décadas do XXI. Mas a recuperação não parecia suficiente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A principal questão política pendente era a do consumo da carne, e isso incluía eliminar de vez a produção baseada em pequenas comunidades camponesas –&amp;nbsp; que por um lado não conseguiam satisfazer as necessidades do mercado por produtos de origem vegetal devido à modéstia do volume de sua produção, e por outro conservavam o bárbaro e vergonhoso ritual de sacrifício de seres vivos e consumo de carne.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Este novo mundo levou às últimas consequências determinados princípios da sociedade moderna que haviam sido deixados de lado ou abandonados por pura preguiça e falta de determinação das gerações anteriores, e principalmente, pelos freios morais que foram pouco a pouco sendo eliminados graças à ajuda e apoio da classe artística antenada aos novos valores da sociedade do futuro. Inesperadamente, foram as intervenções artísticas nas ruas que conseguiram com avançados métodos publicitários reformar os espíritos para a nova ordem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O princípio de transparência na vida, por exemplo, havia sido realizado com a cobertura completa das ações de todos os indivíduos com câmeras, scanners e sensores, que captavam os mínimos gestos e transmitiam em tempo real para todo planeta, para quem quisesse assistir o que cada um fazia em cada momento. Isso já havia sido previsto por crônicas do século XX, porém, ninguém poderia prever que os próprios cidadãos observariam a normalidade de seus congêneros e corrigiriam os desvios agindo da maneira adequada para atenuar seus efeitos e detectar sua origem reeducando o indivíduo em questão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não havia nenhum instituto ou departamento encarregado da vigilância e normatização do comportamento dos indivíduos, a própria sociedade se encarregava disso colocando em ação amigos, familiares, colegas de trabalho, e até pessoas desconhecidas poderiam de maneira bem sutil sugerir a alteração adequada para trazer de volta o concidadão à norma. A participação na restauração de um concidadão é considerada uma honra e motivo de alegria.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado a privacidade e a individualidade eram resguardadas e estimuladas ao extremo, ao ponto de nos transportes públicos serem implantadas cabines para separar os assentos, isolando-os herméticamente, de modo que os passageiros não se encostassem, não ouvissem a mesma música, não respirassem o mesmo ar, e era dada até a opção de alterar o painel que mostrava a paisagem. Cada usuário poderia carregar as configurações de sua preferência a partir de seu cartão de identidade eletrônico. Um dispositivo semelhante também havia sido intalado nos elevadores, com o incoveniente de aumentar o espaço ocupado por cada passageiro obrigando os engenheiros a aumentarem o tamanho interno dos elevadores para não diminuir a lotação.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nas grandes cidades a paz e consenso reinavam e o apoio era total em relação às intenções do governo.&amp;nbsp; A aplicação dos ideais de pureza corporal e espiritual, a higienização dos espaços públicos e privados e&amp;nbsp; formulação de uma ética verdadeiramente humanista praticada com regozijo por todos os cidadãos tiveram como efeito o fim das desigualdades sociais e da exploração exarcebada que em outros tempos degradava a condição humana e impossibilitaca a vida digna de todos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mas existia ainda o problema das comunidades camponesas e seu modo de vida que se mantinha o mesmo desde tempos imemoriais. Desde antes das guerras e da reconstrução, desde muito antes do advento da imundice industrial, desde antes da invenção do Estado e da sociedade civilizada. Teimosamente estes indivíduos se mantinham imunes ao progresso, seguiam retrógrados e agarrados às suas tradições, com seu modo de vida sujo, ultrapassado e promíscuo se reproduzindo em progressão exponencial; irracionalmente colocando em risco a existência de toda a espécie humana e o equilíbrio ambiental da Terra, conquistado a tão duras penas. Pareciam, por uma inteligência diabólica e coletiva, querer superar a baixa expectativa de vida com a quantidade de filhos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Estima-se que com todos os avanços da engenharia genética e da medicina cirúrgica a média de estimativa de vida de um habitante das cidades seja até quatro vezes maior que a de um habitante das aldeias. Mesmo assim, vivendo menos, eles mantinham persistentemente seu modo de vida, como se essa opção fosse anterior à sua tomada de consciência do mundo, anterior ao seu nascimento e fosse mais dura que aço; inquebrável. Optavam por uma existência suja e coletiva e não por individualmente viverem mais, era inexplicável porque não era uma opção e sim uma compulsão. Eles viviam compulsivamente, sem que a vida fosse um gesto da vontade, uma escolha.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Muitas soluções foram pensadas. A migração para as cidades era largamente estimulada e toda a estrutura necessária para se assentar à nova situação e se adaptar a nova vida era garantida pelo governo. Muitos optavam por vir às cidades, e só assim era possível entrar no futuro, por opção e mote próprio, uma vez que a adesão compulsória é um método bárbaro e típico da vida que levavam antes da grande reforma e não do novo mundo que se abre na alvorada do futuro. Era motivo de orgulho que não houvesse registro de nenhum caso de pessoa que se arrependesse e escolhesse voltar às aldeias depois de ter migrado para as cidades. Para isso contribuiam os sofisticados e sutis mecanismos de conformação à nova ordem, como a imperceptível reeducação promovida pelos próprios concidadãos. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Também era oferecido a qualquer morador das aldeias, cirurgias para esterelização de homens, mulheres e até crianças que se voluntariassem, porém, como tudo dependia da vontade e escolha dos aldeões toda solução tinha o limite de a maioria da população continuar compulsivamente a viver como seus pais e avós.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No final das contas considerou-se que de uma maneira ou de outra a existência dessas aldeias deveria cessar assim que possível. Apesar de não ser muito humanista parecia que a única saída que restava era exterminar essa população e como a avançada tecnologia das cidades permitia, isso seria feito de uma só vez e sem sofrimento. A conversão forçada dos habitantes das aldeias parecia aos moradores das cidades algo bárbaro e contraditório com seus princípios de modo que o extermínio restava como opção menos ofensiva.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Muitas décadas antes um morador das cidades já havia previsto essa solução e exposto sua opinião, de que ela era desumana. Por outras contestações esse habitante havia se tornado um incômodo e era considerado por uns um perverso e por outros um moralista retrógrado. Ele havia sido o último morador das cidades a migrar por livre e espontânea vontade para as aldeias e antes disso deixou escrito um grande tratado em que denunciava com conceitos antiquíssimos – de mais de duzentos anos de existência – que a sociedade presente era uma utopia burguesa e que ela tentava a todo custo ignorar a humanidade, reificando o mundo das mercadorias e substituindo o trabalho humano por máquinas para não se identificar com os produtos gerados. Essa versão deturpada da sociedade pelo olhar desse homem louco foi refutada com facilidade pelas mentes mais pródigas da sociedade ao demonstrarem que a arte e o pensamento ainda eram produtos gerados pelos humanos, e apenas por eles, e que apenas esses produtos realmente refletiam a natureza da alma humana e não o vil trabalho manual que existia nas antigas fábricas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Finalmente uma bomba foi produzida de modo que quando fosse acionada transformaria as toxinas existentes em organismos consumidores de carne vermelha em um veneno que seria responsável pela morte das populações das aldeias. Os argumentos eram justos; no passado os ancestrais primitivos da sociedade já haviam matado por Deus e pela Democracia e nos tempos limpos esses eram considerados princípios guiados por interesses parciais ou impregnados de misticismo. Dessa vez não, a mortandade era pelo bem do futuro da humanidade e da vida na Terra. Quanto mais digno e justo o motivo do ataque maior a fúria dos agressores. Mais ainda, na população em geral, a mortandade era justificada pela imoralidade do consumo de carne e do sacrifício contínuo e perpétuo de seres vivos. Com um golpe só seriam carrascos dessa aberração.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A decisão foi posta em prática no dia __ de _____ de 2133 d.C. com o pequeno ajuste de se utilizar potentes bombas incendiárias em vez daquela projetada inicialmente. O ajuste se justifica pelo efeito estético que causaria e para melhor se adequar à mitologia das aldeias que defendia que o mundo acabaria em fogo. A mudança também &amp;nbsp;é compreensível uma vez que os moradores das cidades eram portadores de um elevadíssimo senso estético e queriam fazer do evento que seria transmitido em tempo real para todo mundo um espetáculo de luzes e cores. Pela potência das bombas a morte seria igualmente instantânea e a destruição colateral é justificável diante da beleza do acontecimento e do simbolismo do fogaréu ser o parteiro desse novo tempo que se iniciaria. A equipe artística encarregada de registrar e televisionar a destruição das aldeias resolveu por uma homenagem à obsoleta arte do cinema do século XX; usando como trilha musical para o espetáculo a música Surfin´ Bird gravada em 1964 por um grupo chamado The Trashmen e utilizada em filmes de guerra nessa época.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Depois desse último sacrifício um futuro brilhante aguardava os espíritos elevados das cidades e seu ideal de pureza, ordem e perfeição poderia reinar sem máculas. Esse foi o último pecado da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;( The Trashmen - Surfin Bird : http://www.youtube.com/watch?v=ZThquH5t0ow ) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-8842726661857649721?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/8842726661857649721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=8842726661857649721' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8842726661857649721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8842726661857649721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/05/o-ultimo-pecado-da-humanidade.html' title='O último pecado da humanidade'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-581276531964845362</id><published>2010-05-20T16:19:00.001-07:00</published><updated>2010-05-23T20:23:23.447-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CLeonardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CLeonardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CLeonardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:"Cambria Math";	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;	mso-font-charset:1;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-format:other;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:0 0 0 0 0 0;}@font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-priority:1;	mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin-top:0cm;	margin-right:0cm;	margin-bottom:10.0pt;	margin-left:0cm;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	mso-bidi-font-size:10.0pt;	font-family:"Calibri","sans-serif";	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}p.PadderBetweenControlandBody, li.PadderBetweenControlandBody, div.PadderBetweenControlandBody	{mso-style-name:"Padder Between Control and Body";	mso-style-noshow:yes;	mso-style-unhide:no;	mso-style-next:Normal;	margin-top:0cm;	margin-right:0cm;	margin-bottom:6.0pt;	margin-left:0cm;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:1.0pt;	font-family:"Calibri","sans-serif";	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	mso-bidi-font-size:10.0pt;	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}.MsoPapDefault	{mso-style-type:export-only;	margin-bottom:10.0pt;}@page Section1	{size:612.0pt 792.0pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:36.0pt;	mso-footer-margin:36.0pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="PadderBetweenControlandBody" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu queria dizer que ainda iria lhe aparar se você caísse. Queria que soubesse que não é por cuidado, mas por querer te tocar com a palma da minha mão. Mas não havia mais nada que pudesse ser dito. O silêncio era maior; infinito separando planetas que nunca vão se encontrar por girar em órbitas diferentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se não houvesse todo o engano e desencontro que houve, se não tivesse fingido papéis que não me cabem – como a tolice de querer ser regente da orquestra do cosmos – mesmo assim passaríamos distante, mesmo assim estaríamos em freqüências distintas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas as forças não têm compaixão ou simpatia pelos sentimentos humanos, ao menor sinal de fraqueza desterraram o sentido; e ele exilado ficou, para sempre, sem a possibilidade de comunicação. &amp;nbsp;Mesmo assim eu escrevi em um papel e enterrei o tratado de uma linha sobre o desencontro, para compor o imponente acervo poético das minhocas: “Eu ainda te amo.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-581276531964845362?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/581276531964845362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=581276531964845362' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/581276531964845362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/581276531964845362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/05/biblioteca-das-minhocas.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-575961648436044041</id><published>2010-05-14T00:48:00.000-07:00</published><updated>2010-05-14T00:53:12.942-07:00</updated><title type='text'>Roletas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje o ônibus estava diferente; havia roletas demais, uma atrás da outra, enfileiradas no corredor entre os assentos. E também as barras de ferro para as pessoas se segurarem estavam colocadas de maneira estranha; na parede lateral interna, atravessando as janelas na horizontal. Quando olhei para o teto, percebi que ali também havia algo diferente; bancos pregados de cabeça para baixo. Parecia que as máquinas que montam ônibus tinham enlouquecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Quando desci do ônibus eu vi que o mundo estava repleto de roletas de ônibus por todos os lados; nas calçadas, no meio das ruas, e colocadas de lado nas paredes e pilastras. Eram roletas sem sentido, qualquer pessoa poderia dar a volta nelas e também não separavam coisa alguma mas mesmo assim todos passavam por elas e depositavam o dinheiro em urnas acopladas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Vi até um homem que estava ajoelhado em posição de súplica diante de uma dessas roletas, agarrado a ela, chorando copiosamente por não ter dinheiro para passar. Tive vontade de agarrá-lo pelo colarinho e gritar a plenos pulmões na sua cara: "Está louco homem!? A roleta está colocada entre o nada e coisa nenhuma! Dê a volta em torno dela!" - mas tive uma certeza íntima antes de fazê-lo de que não adiantaria de nada; ele queria passar pela roleta mas não tinha dinheiro o suficiente. Em vez disso, me aproximei e ofereci uns trocados e o homem aceitou com muita alegria e gratidão, me beijando o rosto repetidas vezes,e forçando sua face molhada de lágrimas contra a minha o que me causou a mais sincera sensação de asco que já senti na vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Depois disso pensei que o veria sumir na distância, me aliviando daquele fardo, mas em vez disso ele se deparou com outra roleta a menos de dez metros de distância a frente e como não tivesse nenhuma memória do que acabara de acontecer apalpou os bolsos com uma expressão de confusão no rosto para averiguar surpreso que não tinha dinheiro algum. Mais uma vez se atirou ao chão chorando aos soluços. De nada adiantaria eu ir até ele e lhe dar mais uns trocados porque depois dessa roleta haveria outra, e depois dessa outra mais uma, e mais uma, e mais uma, infinitamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Ele estava condenado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-575961648436044041?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/575961648436044041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=575961648436044041' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/575961648436044041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/575961648436044041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/05/roletas.html' title='Roletas'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-4817896418835299290</id><published>2010-05-11T17:45:00.000-07:00</published><updated>2010-06-07T05:22:42.330-07:00</updated><title type='text'>A mulher dentro do trem</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&amp;nbsp;1&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que mais o incomodava era o fato de que se falasse com ela e construíssem algum laço além da rotineira troca de olhares tornar-se-iam "conhecidos", e dessa forma sempre teria de lhe falar mesmo que não tivesse vontade. Isso em especial era um problema já que para ele a fala dependia de uma disposição para tal, enquanto que o olhar não – este tinha um quê de compulsão. Ele detestava qualquer obrigação mútua que surgisse assim, de maneira velada, e como a maior parte dos relacionamentos humanos continha esses contratos invisíveis porém inevitáveis e pesadíssimos, ele evitava todo e qualquer contato com outras pessoas. Graças a esse temperamento esquivo sua fala cada vez mais atrofiava e seu olhar ganhava em expressividade e extensão sobre o mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse não era o principal motivo para se desencorajar, afinal caso não quisesse encontrá-la poderia muito bem pegar o horário seguinte do trem que assim mesmo chegaria a tempo no trabalho e ficaria facilmente livre do estorvo da conversa. Mas não era isso, ele temia como nunca temera ser repelido. Dessa vez o medo era maior principalmente porque ela importava mais do que qualquer outra fantasia até então. Como toda fantasia nova importava mais que a anterior. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia se frustrado o suficiente isso é certo, mas na maior parte das vezes perdia de véspera. Não chegava a se arriscar até o fim, e a se expor à repulsa alheia – percebia por uma habilidade inexplicável os sinais contrários do mundo e das pessoas. Percebia em detalhes mínimos as negativas, os limites, as impossibilidades. Podia-se dizer até que tinha uma percepção apuradíssima das impossibilidades.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, conseguiu justificar a si mesmo seu ato e seu fracasso e se preparou para no dia seguinte abordá-la no trem (após algumas semanas de olhares mútuos) sob a justificativa de que esta mulher, por seu ar solene, seu olhar grave e postura digna era merecedora de portar seu “não” – tinha esperado toda a vida para ouvir um “não” dela. Propriamente dela, unicamente dela e não apenas de alguém como ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ela não disse não.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;2&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele sentou-se ao seu lado e após muitas estações de tremores e suor frio, finalmente tomou coragem e lhe dirigiu a palavra com a voz sussurrada, trêmula e falha da insegurança: “Moça, iria te incomodar se a gente conversasse um pouco?”. (A subserviência da proposição se deve tanto a sua timidez e baixa auto-estima quanto à consideração de que ela era algo estranhamente sobrenatural pelo que deixava transparecer seus olhos e sua postura.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela respondeu que não seria incômodo nenhum, também com imensa timidez demonstrada pelo seu olhar esquivo e tremores labiais enquanto falava. Assim como a dele, sua voz era baixa, e foi um milagre que tivessem conseguido se comunicar naquele trem barulhento. Na verdade várias vezes ele não conseguiu escutá-la e havia apenas assentido com a cabeça por vergonha de fazê-la se repetir, e também pela intuição de que isso de nada adiantaria uma vez que se quisesse entender tudo que ela dizia teria que pedir muitas vezes que ela se repetisse e isso seria ridículo e descabido. Ele teve muita vergonha por enganá-la assim, fingindo atenção quando não escutava nada do que dizia por conta do barulho que fazia o trem. É claro que só ele sustentava a ilusão de que ela não havia percebido que ele não escutava nada do que ela dizia e apenas balançava a cabeça em concordância em um gesto de simpatia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De imediato a timidez dela o atraiu. Primeiro pelo contraste causado pelo fato de a portadora da timidez ser uma mulher tão bonita com uma aparência que sugeria sofisticação e elegância. Para ele a timidez era propriedade de pessoas deformadas, esquisitas, mal acabadas, ou mal ajambradas. Em segundo lugar a timidez o atraía porque trazia às pessoas uma aura de desamparo e isso lhe despertava enorme comoção, e ele nunca soubera muito bem separar qualquer tipo de afeto da compaixão. Os tímidos eram irresistíveis aos seus olhos especialmente porque muitos aspectos da sua personalidade eram secretos, e por isso, raríssimos, sendo possível acessar tais segredos apenas com muito custo e após muito tempo. A sua intimidade indevassável podia revelar continentes inteiros, vastos e ricos de trejeitos, olhares e expressões que não se mostravam ao vulgo e ficavam por assim dizer guardados, para aqueles poucos que conseguissem descobrir esse tesouro escondido sob camadas e mais camadas de desconfiança em relação às outras pessoas e, principalmente, desconfiança em relação a si próprio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Trocaram poucas palavras, os silêncios foram longos, mas o agradou que ela também estivesse nervosa, sentiu-se mais influente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;3&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela o avisara na conversa do dia anterior o horário do trem que pegaria no dia seguinte e seria mais tarde que o habitual e ele lamentou muito por ter despertado atrasado nessa manhã. Seu atraso o obrigaria a pegar o mesmo trem que ela, e essa possibilidade o desanimou profundamente. Sua irritação era ainda maior do que aquela que sentia todas as vezes que se atrasava no emprego. O atraso no trabalho lhe pareceu um problema menor diante do fato de que ela poderia pensar que ele teria pego esse horário do trem propositadamente para encontrá-la. Essa idéia o causava repulsa não por estar exposto aos jogos de poder ordinários que existem entre homens e mulheres – ele ignorava isso tudo – mas principalmente porque esse gesto poderia revelar um comportamento obsessivo de sua parte quando na verdade tinha sido provocado pelo acaso. Ele não queria demonstrar obsessão justamente porque era essa a idéia que fazia sobre o amor; um esforço obsessivo em reforçar o afeto sobre uma mesma pessoa; e esse ainda não era o caso, por mais que aquela mulher o atraísse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tratou logo de encontrar um lugar discreto no trem, se acomodar e fingir que dormia mas seu olhar compulsivo buscou em volta para ver se ela estava lá, e se decepcionou por não encontrá-la. Ela embarcou no trem algumas estações a frente e ele ao avistá-la recuou e se escondeu como uma criança. Dormiu boa parte do trajeto mas não resistiu em dar umas olhadelas em sua direção e foi numa dessas que se sentiu flagrado recuando rápido a cabeça à posição original longe do olhar dela com um gesto um pouco ridículo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois que se levantou para saltar em sua estação ainda olhou mais uma vez e desceu do trem fingindo distração. Caminhou ao longo da estação em direção à saída com a cabeça baixa acompanhando a linha amarela, e talvez numa ilusão, percebeu que ela virara a cabeça para olhá-lo quando a janela do trem passou ao seu lado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia seguinte a encontrou no trem, e mais uma vez hesitou em aproximar-se, deixando-se inclusive estar de pé alguns metros a frente no vagão de costas para ela, esperando que um lugar ao seu lado vagasse, para aí sim chegar perto, cumprimentá-la e se sentar. Apenas muito tempo depois pôde calcular o quanto essa atitude parecia estranha e decidiu com muita firmeza que da próxima vez entraria no trem antes dela e se sentaria ao seu alcance, caso ela sentasse ao seu lado conversariam, caso contrário não a procuraria mais deixando que sua estranheza parecesse aleatória e não apenas uma puerilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais uma vez a conversa foi esparsa, e ele se incomodou com isso por mais que seu temperamento a essa altura da vida já o fizesse entender, estimar e apreciar os silêncios significativos que existem em uma conversa. Apesar de ter aprendido a se fazer presente em silêncio não conseguia fazer isso com ela, e quando dizia alguma coisa suas falas eram enfadonhas, sem sentido e desconexas, e ele culpava o trem por isso. A barulheira infernal da máquina e a dificuldade em escutar as respostas dela o faziam perder o tempo da conversa, interrompê-la enquanto ela falava, e a dizer coisas torpes e desnecessárias. Logo resolveu calar-se para ver se ela se colocava. Mas ela não disse nada e seguiram por muitas estações sob o incômodo silêncio barulhento do trem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele chegou a duvidar se deveria falar com ela de novo mas na hora de se despedirem ela o desejou um bom dia de trabalho ao que ele respondeu desculpando-se mais uma vez pelo incômodo causado por sua companhia – demonstrando  como da primeira vez em que se falaram fraqueza e subserviência, um efeito até compreensível após o longo tempo que passaram em silêncio lado a lado – e as últimas palavras dela antes que ele descesse finalmente do trem foram ditas fitando-o dentro dos olhos (coisa que ela raramente fazia) com expressa ternura no semblante e no olhar: “Que isso L., incômodo nenhum”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso reascendeu seu ânimo, e fez de novo brotar-lhe a idéia de convidá-la a um encontro em outro lugar que não fosse aquele trem sujo, feio, desconfortável, decadente e barulhento – mas seguiu com sua convicção de que só o faria caso ela o buscasse e se sentasse ao seu lado no trem. De primeiro essa idéia lhe pareceu precipitada e ainda mais descabida pelo fato de que ele não conseguira nem ao menos estabelecer uma conversa normal com ela mas a lembrança da ternura com que ela refutou sua auto-depreciação mudou o modo como via as coisas. Apesar de só terem conversado duas vezes e de ter sido desastroso talvez se ela o buscasse e se isso lhe emprestasse segurança e uma voz fluente com assuntos interessantes, talvez, somente assim, se animasse a convidá-la para fora daquele troço de metal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na volta do trabalho, depois de saltar do trem e enquanto esperava a condução para casa no ponto de ônibus, resolveu contar quantas pessoas passavam tirando meleca num intervalo de dez minutos. Três foi o total computado, e enquanto contava pensou se ela percebia toda sua estranheza como o indício da inexperiência juvenil de um tolo apaixonado. Essa idéia o revoltou profundamente porque se enxergava como um homem sério e pleno de sentido, e aquele era apenas um lapso causado por uma série de incidentes e situações inesperadas e sobre as quais não era possível ter preparo. De repente se percebeu justificando-se a si mesmo, e isso só faria sentido para um homem pleno de sentido se ele fosse uma personagem e estivesse vivendo uma fantasia literária.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;4&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encontrou-a na semana seguinte, e ela é que veio até ele, o que o emprestou um pouco de coragem. Ela já chegou se desculpando pela última vez em que tinham se visto e isso o colocou em uma posição favorável às suas intenções de convidá-la a um encontro fora do trem. Não compreendendo ele retrucou perguntando o motivo das desculpas e ela respondeu dizendo que se ele se desculpara por talvez tê-la incomodado então ela também tinha de fazê-lo. Foi um pedido de desculpas formal e cortês, genérico, mas no estado em que estava ele nunca conseguiria enxergar assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foram conversando de novo de maneira esparsa, mas dessa vez ele se sentia mais confiante e a conversa fluiu melhor. Ele fez gracejos, sorriu e a fez sorrir. Estrategicamente deixou o convite para o final da viagem para o caso de ouvir uma negativa não ter de suportar por muito tempo a situação vexante. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando estavam chegando na estação em que ele saltaria, perguntou a ela se poderiam se encontrar em um lugar menos barulhento e menos desagradável que aquele trem velho e sujo que os unia. Antes que ela pudesse responder um forte estrondo acompanhado de um tranco arremessaram o trem para fora dos trilhos. Tombado de lado e descarrilado o trem ainda deslizou por alguns metros até parar completamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele escalou o vagão até a janela que agora ficava em cima e saiu para ver o que tinha acontecido. No horizonte fazendo a curva um dragão escurecia o sol com sua enorme asa negra. Ao terminar sua manobra a besta voltava em direção ao vagão tombado com sua bocarra aberta preparando-se para lançar um jorro de chamas sobre as pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem hesitar ele saltou do alto do vagão, colheu no chão um pedaço de ferro em forma de lança que havia soltado do trem quando ele descarrilou e cravou na barriga do dragão aproveitando o rasante mortal da fera. Do buraco do abdome do dragão saiu fogo em vez de sangue e uma labareda devorou todo seu corpo fazendo-o se transformar em cinza púrpura que choveu sobre os espectadores atônitos. Quando terminou ele olhou em volta avaliando o efeito da sua ação. De nada adiantou seu ato heróico porque a mulher havia sido esmagada quando o trem tombou e seu corpo jazia debaixo do pesado vagão como ele pôde constatar mais tarde. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;5&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou isso aconteceu ou ela simplesmente respondeu que era casada e que portanto não poderia se encontrar com ele em outro lugar e tudo se resumiria àquelas conversas no trem. Essa resposta geraria nele a reação imediata de agradecer mentalmente por poder saltar logo na próxima estação e por ter a opção de pegar o horário seguinte do trem nos dias vindouros e nunca mais encontrá-la para o resto de sua vida. Ou ainda ela poderia ter dado uma resposta evasiva fazendo a situação se estender indefinidamente entre tímidos avanços e consideráveis retrocessos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A escolha de qualquer um dos finais não faz a menor diferença.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-4817896418835299290?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/4817896418835299290/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=4817896418835299290' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/4817896418835299290'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/4817896418835299290'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/05/mulher-no-trem.html' title='A mulher dentro do trem'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-5000652324015682969</id><published>2010-05-07T12:21:00.000-07:00</published><updated>2010-05-09T10:50:38.154-07:00</updated><title type='text'>Os colecionadores</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha vida foi repleta de amores natimortos, e eu os guardo com o zelo de um colecionador de insetos. Há quem considere isso de mau gosto, que prefira o esquecimento, mas eu não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando era mais novo eu me arrepiava de terror em laboratórios com prateleiras de fetos e animais contidos em vidros de conserva, agora sou eu que envidro memórias de desencontros. Aquilo era mesmo desnecessário, já que tinha o objetivo de educar as crianças e compreender os mecanismos da vida. Como se a vida coubesse em um frasco de vidro. O amor também não cabe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que move um colecionador é mais uma compulsão que uma vontade de compreensão ou de organizar didaticamente as coisas. Existe o prazer do todo, o sentido dado pela repetição, a harmonia do constante. Isso reconforta e diminui a sensação de absurdo e por isso, talvez seja sintoma de um mundo sem sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sempre admirei os colecionadores, mas nunca tive essa disciplina e obstinação, até perceber que não se trata de uma escolha ou de uma vontade, mas antes de algo que se impõe externamente, logo, compulsivo. O colecionador não escolhe aquilo que ele coleciona, antes aquilo que ele coleciona é que o escolhe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso a compulsão, por isso um sentido que é maior que a vida do colecionador, que engloba a sua existência e assim, não pode ser evitado. A coleção cria o sentido da vida do colecionador, ele é colecionado pelas coisas e não o contrário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tinha muita vontade de colecionar as coisas, mas não conseguia, porque não havia descoberto a coisa que me colecionava. Agora eu sei, sou uma coleção de desencontros. Reconforta ter um sentido, ter descoberto minha coleção - agora eu sou um inseto numa caixa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-5000652324015682969?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/5000652324015682969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=5000652324015682969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/5000652324015682969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/5000652324015682969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/05/os-colecionadores.html' title='Os colecionadores'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-7951143579050183473</id><published>2010-04-30T13:54:00.000-07:00</published><updated>2010-04-30T19:06:22.906-07:00</updated><title type='text'>Prece da Ausência.</title><content type='html'>Eu queria que tudo desaparecesse agora. Eu queria que o mundo cessasse de existir num piscar de olhos. Eu queria que tudo sumisse num sussurro. Eu queria que a cachoeira parasse de correr e que o céu escurecesse e eu queria esse vazio, esse silêncio, porque ele já habita dentro de mim. Eu queria a escuridão, eu queria a ausência do meu corpo pra que ele não sentisse a ausência do seu. Eu queria que tudo acabasse rápida e subitamente para não deixar nem suspeita nem lembrança de existência. Eu queria que tudo sumisse, eu queria o vazio.&lt;br /&gt;Eu queria que não tivesse mundo, eu queria que nunca tivesse havido mundo. Eu queria a paz do eterno, da eterna ausência de tudo. Eu queria o nada: nada pra frente, nada pra trás, nada presente, nada ausente. Eu queria o nada infinitamente em todas as direções.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-7951143579050183473?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/7951143579050183473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=7951143579050183473' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/7951143579050183473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/7951143579050183473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/04/prece-da-ausencia.html' title='Prece da Ausência.'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-2677598532486797928</id><published>2010-04-25T15:01:00.000-07:00</published><updated>2010-06-07T05:55:45.627-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contam as estrelas que o arvoredo espesso sombreava um segredo. Esse segredo estava tão bem escondido que dele só sobraram as migalhas no canto da cotovia e no lamento das corujas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qualquer um que souber costurar as vozes dos pássaros o adivinhará mas os últimos que sabiam já desapareceram há muitos anos. Resta então adivinhá-lo em um olhar desprevenido de uma águia, que às vezes também olha perdida sem saber no que pensar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só assim - quando a águia olha fixo, porém sem mirar nenhuma presa - é possível vislumbrar a mensagem. No reflexo desse olhar está descrita a nossa invenção; que somos todos ficções da natureza. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do lado de cá também podemos ver outras coisas mais. Podemos ver lampejos do eterno; porque as aves desse tipo sofrem mil mutações nos mergulhos mortais pelo ar a cada farfalhar de pena, mas seu olho permanece de um cristalino impassível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de dito tudo isso, uma vez mais contaram as estrelas e o total computado foi algo completamente diferente do início levantando a suspeita de que era o céu que escurecia algum segredo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da última vez que eu conferi o céu ainda estava suspenso e minha barba ainda crescia; mas quem nesse mundo vai acreditar em mim se eu sou só o sonho de uma borboleta?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-2677598532486797928?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/2677598532486797928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=2677598532486797928' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/2677598532486797928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/2677598532486797928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/04/contam-as-estrelas-que-o-arvoredo.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-5616467147802723040</id><published>2010-03-24T18:15:00.001-07:00</published><updated>2010-03-29T08:10:27.844-07:00</updated><title type='text'>Legião.</title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CLeonardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CLeonardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CUsers%5CLeonardo%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-priority:1;	mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin-top:0cm;	margin-right:0cm;	margin-bottom:10.0pt;	margin-left:0cm;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	mso-bidi-font-size:10.0pt;	font-family:"Calibri","sans-serif";	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	mso-bidi-font-size:10.0pt;	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}.MsoPapDefault	{mso-style-type:export-only;	margin-bottom:10.0pt;}@page Section1	{size:612.0pt 792.0pt;	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm;	mso-header-margin:36.0pt;	mso-footer-margin:36.0pt;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quando estou em grupo e mesmo assim insisto em agir de próprio mote; de desviar para caminhos outros, de escolher a solidão, sou censurado como individualista. Mal sabem eles que não há nada de individual em minhas escolhas, que minhas vontades não me pertencem. Já questionaram minha solitude. Já ralharam dizendo que todo mundo precisa de alguém para cuidar e ser cuidado, e que é dever de cada um ser responsável por outro, nem que seja um outro qualquer. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu fui compelido a responder a verdade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A verdade é que eu tenho que cuidar de alguém; uma criança. Ela é tão caprichosa em suas vontades que toma muito do meu tempo e minha atenção, e isso não é de todo ruim porque me sinto só e abandonado sem sua risada e suas idéias sem pé nem cabeça. Tenho que ir onde ela quer e quando ela quer, mas já disse que isso pra mim não é desprazer. Fico triste quando passo o dia longe dela, trabalhando ou tendo que atender a outras pessoas. De todos quem me faz falta é ela que transforma meu cotidiano em coisa leve e suportável. Preciso cuidar dela pra que não vá embora – essa criança que mora dentro de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;E além dessa criança há também um senhorzinho que às vezes me assalta com sua sabedoria; e eu, acato sua palavra. Seus silêncios são vastos como a grande muralha; o que faz com que suas palavras sejam tão plenas de sentido – flor que brota no fundo infinitamente pedregoso. Nada do que diz é descabido apesar de ser sempre inesperado; tamanha a sua simplicidade diante da perversão das coisas. Assim, tudo que me diz encaixa na ordem do mundo. Eu preciso de silêncio e isolamento para escutá-lo, porque a solidão é alimento necessário para sua lucidez antecipar o inevitável em conselhos que aplacam a indignação e a revolta diante das circunstâncias da vida. Tranqüilo e plácido, ele vem a mim. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Além desses ainda têm o monge, o pirata, o índio, o mímico e muitos outros. Como posso eu dar conta de outras pessoas se tenho que administrar essa legião dentro de mim?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-5616467147802723040?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/5616467147802723040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=5616467147802723040' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/5616467147802723040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/5616467147802723040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/03/legiao.html' title='Legião.'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-1709836327821523488</id><published>2010-01-27T18:44:00.001-08:00</published><updated>2010-02-08T16:41:01.157-08:00</updated><title type='text'>Rio.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele, deitado na pedra do rio, descansando, pôde entrar em contato com uma verdade que traz consigo a idade do céu e a pungência da vida. E foi tudo pelos respingos d’água.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percebeu que os respingos não o atingiam de maneira regular, antes acertavam-no em quantidades diferentes e em partes diferentes do corpo. Pensou por um instante em como a água fluindo sempre a mesma e sempre outra em volume estável como pulsação sanguínea por um leito milenar de pedras arredondadas poderia produzir respingos sempre desiguais. Confundiu-se com pensamentos lusco-fuscos. Não conhecia tão bem o rio pelo qual saltava de pedra em pedra usando as mãos e os braços como um símio. Aquele emaranhado de água espumante e pedras de todas as formas e texturas enfim, perdia o sentido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não reconhecia o rio por um breve instante. Alguma coisa estava ali, e só agora percebia. Uma presença espreitava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De olhos fechados o temor se dissipava e ele se acostumou com a respiração acelerada do rio. De olhos fechados ele pôde ouvir sua voz grave e distante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A voz lhe contou sobre todos os tempos, pois o rio é o passado em seu leito, o futuro em seu devir, e está sempre presente em suas águas. O rio lhe contou do tempo em que a memória não alcança, nos quais a terra era feita de fogo e fúria, e criaturas míticas caminhavam de baixo do sol com suas dimensões épicas sem serem constrangidas ou incomodadas. Contou-lhe do nascimento do seu povo, tão antigo como o vento, aparentado das árvores, com a pele da cor da terra e os olhos da cor do firmamento. Também contou sobre a vinda dos homens com suas armas, seus machados, suas cruzes e suas casas, e lhe revelou que eles trariam a escravidão, ruína e trevas ao seu povo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim soube algo que já havia intuído – o movimento perpétuo do rio, como é infima sua finitude diante dele, e como é eterno e extenso o presente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele se lembrou quando escutou o rio a contar essas coisas, lembrou como quem acaba de aprender uma verdade inédita.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-1709836327821523488?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/1709836327821523488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=1709836327821523488' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/1709836327821523488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/1709836327821523488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/01/rio.html' title='Rio.'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-1787672143816309968</id><published>2010-01-11T09:46:00.001-08:00</published><updated>2010-01-11T10:03:39.509-08:00</updated><title type='text'>Vovô Zequinha</title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;    &lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; 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 &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O diafragma de uma câmera fotográfica abre e fecha em poucos milisegundos para a luz entrar e registrar a imagem no filme. Esse pequeno momento que registra a imagem poderia ser uma vida. Essa rápida abertura durou 84 anos, a vida do meu avô foi a piscadela de uma máquina fotográfica.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu queria ter aprendido a jogar no bicho com ele e a apostar nos cavalinhos. Ele era um ótimo apostador, um jogador de primeira. Nos últimos dias me disse: "O jogo não é para se ganhar, o&amp;nbsp; jogo é para se jogar, ganhar é um acidente de percurso que acontece as vezes. O jogo existe para ser jogado, só isso." E a vida existe para ser vivida, só isso, ele me ensinava. Dele ficou meu gosto pelas cartas, meu bigode, e o vício que o levou pra longe, que o fez encantar aos 84. Eu queria ser meu avô. Eu queria seu sorriso doce e sua calma diante da vida. Eu queria seu senso de humor rabugento e inesperado, que divertia surpreendendo, sempre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nos últimos tempos o seu gosto por faroestes italianos e meu gosto por cinema nos aproximou ainda mais. Eram ótimas as tardes de filme com cerveja e queijo de aperitivo. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu queria ter tido tempo e dinheiro para levá-lo para um passeio naquele cassino de Viña del Mar. Para pagar um bom barbeiro que lhe desse um atendimento especial e lhe comprar um terno de bom corte em um alfaite. Queria vê-lo elegante mais uma vez, jogando cartas naquele lugar. Não houve tempo, mas tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Meu avô faleceu dia 8 de janeiro. Dia do fotógrago, sua profissão a vida inteira. O diafragma aberto há alguns milisegundos se fechou e registrou uma imagem: seu sorriso doce. Para sempre numa foto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-1787672143816309968?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/1787672143816309968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=1787672143816309968' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/1787672143816309968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/1787672143816309968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2010/01/vovo-zequinha.html' title='Vovô Zequinha'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-6659245698820095808</id><published>2009-12-28T19:08:00.000-08:00</published><updated>2010-01-07T07:31:15.493-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O velhinho resmungava, zangava, de um jeito senil e fraco. Não impunha respeito às crianças em volta que lhe exigiam atenção e participação nas brincadeiras. - "Vamos brincar assim! Vamos brincar assado! Agora faz de conta que você é montanha! Agora faz de conta que é mar ou árvore!" - e ele resmungando: "Sai fora muleque! Assim não! Deixa o velho descansar...". Zanga e lamento, zanga e lamento. Ele reclamava mas nunca saía, nunca se punha fora do alcance das crianças. Ali sempre estava, sempre a reclamar, sempre a brincar e a ceder a vontade da criançada. Sempre contrariado.&lt;br /&gt;Quando ele distraído pela idade, que faz das pessoas aéreas, olhava para o nada lembrando da vida esquecida, daquela vida que pulsava em vozes finas e que ele de longe identificava e tentava apertando os olhinhos em direção ao nada recordar - quando ele buscava no horizonte isso tudo, as crianças o encaravam em silêncio por um momento e sussurravam telepaticamente entre si: "Ele é um de nós." Ele não enxergava mas elas o viam assim. Ele não recordava mas elas sabiam assim mesmo. Quando ele volta de sua viagem a lugar nenhum - em sua busca que nada encontra mas que altera seu exterior fazendo as crianças o reconhecerem - elas sabem o que fazer. Não podem se denunciar em sua cumplicidade, ele não entenderia. Voltam a importuná-lo, voltam a sugerir brincadeiras incompreensíveis para a cabeça do velho e a pular incoveniente e descabidamente sobre ele de uma forma que seu corpo, já calejado pela idade, tampouco compreendia.&lt;br /&gt;As crianças gostavam uma das outras, mas todo os seus afetos convergiam a um só ponto - o velho.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-6659245698820095808?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/6659245698820095808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=6659245698820095808' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/6659245698820095808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/6659245698820095808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/12/o-velhinho-resmungava-zangava-de-um.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-263078425219885005</id><published>2009-12-23T20:46:00.000-08:00</published><updated>2009-12-24T02:39:24.632-08:00</updated><title type='text'>Por qué se suicidam las hojas cuando se sienten amarillas? - Pablo Neruda</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesta tarde as folhas não caíram. Mantiveram-se poucas, mirradas, nas árvores semi-peladas pelo outono. Quanto menos folhas equilibradas nos galhos, mais se sentiam solitárias e desamparadas, sentiam vontade de pular para encontrar suas irmãs no chão. Mas não nessa tarde, aguentaram-se bravamente ao vento frio. Sua vontade de beber mais da seiva era tão grande que se tornavam um fardo mesmo para sua mãe que a essa época do ano já não tem mais tanto leite para compartilhar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela, sem saber porquê, perdia seus cabelos. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-263078425219885005?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/263078425219885005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=263078425219885005' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/263078425219885005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/263078425219885005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/12/por-que-se-suicidam-las-hojas-cuando-se.html' title='Por qué se suicidam las hojas cuando se sienten amarillas? - Pablo Neruda'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-5857175753715940972</id><published>2009-12-21T21:40:00.001-08:00</published><updated>2009-12-23T20:20:46.604-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;    &lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; &lt;/m:wrapindent&gt;&lt;style&gt;&lt;!-- /* Font Definitions */ @font-face	{font-family:"Cambria Math";	panose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:roman;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;}@font-face	{font-family:Calibri;	panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4;	mso-font-charset:0;	mso-generic-font-family:swiss;	mso-font-pitch:variable;	mso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal	{mso-style-priority:1;	mso-style-unhide:no;	mso-style-qformat:yes;	mso-style-parent:"";	margin-top:0cm;	margin-right:0cm;	margin-bottom:10.0pt;	margin-left:0cm;	mso-pagination:widow-orphan;	font-size:11.0pt;	mso-bidi-font-size:10.0pt;	font-family:"Calibri","sans-serif";	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}.MsoChpDefault	{mso-style-type:export-only;	mso-default-props:yes;	mso-bidi-font-size:10.0pt;	mso-ascii-font-family:Calibri;	mso-ascii-theme-font:minor-latin;	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;	mso-hansi-font-family:Calibri;	mso-hansi-theme-font:minor-latin;	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}.MsoPapDefault	{mso-style-type:export-only;	margin-bottom:10.0pt;}@page Section1	{size:947.25pt 1296.0pt;	margin:0cm 7.5pt 0cm 7.5pt;	mso-header-margin:0cm;	mso-footer-margin:0cm;	mso-paper-source:0;}div.Section1	{page:Section1;}--&gt;&lt;/style&gt;  &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ele recebeu cartas de amor pela primeira vez na vida. Em sua sala pobre lia uma a uma com cuidado e satisfação. Amava de volta a cada palavra de afeto, a cada expressão de carinho. Sobre mesa de madeira com uma gaveta em baixo, bebia seu vermute, fumava seus cigarros, lia e relia suas cartas de amor. Até que bateram violentamente na porta, uma, duas, três, quatro vezes. Ele correu sobresaltado, acordado&amp;nbsp; à força de um sonho bom. Foi até a porta e verificou pelo olho mágico que eram eles. Eram cinco dessa vez, todos de terno cinza, gravata e chapéu. Enormes, fortes e gordos. Correu de volta até a mesa, pegou suas cartas e as queimou rápido com o isqueiro. Bateram denovo, e denovo, cada vez com mais violência. Na quarta vez estava pronto, foi correndo atender a porta mas um chute a escancarou violentamente espatifando seu nariz e arrancando-lhe um dente da frente. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os homens entraram e começaram a espancá-lo. Socos, pontapés, atiravam-no contra a parede e miravam nas quinas para causar maior dano. E lhe gritavam: “Quem? Quem, filho da puta?” – ele resistia, nunca entregaria seu amor. Mais tortura e violência. Pegam na cozinha seus garfos e cravam na sua pele. O sangue jorra e ele grita alucinadamente. Pegam as facas e começam a retalhar seu rosto, sempre gritando: “Quem te ama? Quem te ama?”. Quando trazem da copa o ferro de passar e ele vê que o estão ligando na tomada não resiste mais e grita chorando: “Ninguém! Ninguém!”. Os homens de terno cinza se entreolham sem expressão, largam-no no chão e saem pela porta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A ambulância vem e consertam-no para que ele possa trabalhar no dia seguinte. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No dia seguinte sai para o trabalho e cumprimenta os vizinhos tentando esconder a vergonha que sentia por seu rosto deformado e costurado. Na volta, passando pelo parque, escutou o canto de um passarinho. Com sua boca murcha, remendada e sem dentes tenta imitá-lo e estupefato, consegue. Tinha até mesmo a impressão de que sua boca quebrada, agora emitia melhor sons de passarinho do que palavras humanas. Conversava com o canarinho e o entendia, e a ave, enamorada veio pousar em seu ombro. Ele cumprimentou com um sorriso que parecia um bueiro sem dentes e levou sua nova paixão pra casa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quando voltava do trabalho passavam horas a conversar e sorrir um pro outro: ele, sem dentes – o pássaro, com um pio. Dava de comer na mão, o alpiste. Deitado de costas no chão, observava com cuidado seu vôo gracioso dentro do apartamento vazio com pouca mobília. Denovo, enquanto se encontrava em estado de graça, os homens de terno cinza espancavam a porta. Ele levantou-se num pulo. Abriu a janela e o passarinho se foi. Ele correu para abrir a porta e os homens, mais uma vez, entraram batendo. Com um empurrão o fizeram cair estatelado sobre a mesa que cedeu e quebrou. Usaram o pé da mesa como arma, ora a parte rombuda virava bastão a lhe acertar o rosto, ora a parte lascada virava lança a perfurar seu corpo. Enquanto gritava de dor ele só pensava em seu passarinho, tão amarelo, tão alegre e tão pequeno. Os homens de terno gritavam com ele: “Quem te ama, seu filho da puta? Quem te ama agora?” – e após toda a tortura ele murmurou com uma voz quase inumana: “Ninguém...”.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Agora ele apenas acenava com a cabeça, não conseguia mais falar. Ia e voltava do trabalho em silêncio. Seu corpo alquebrado fazia com que ele mancasse e se contorcesse enquanto andava. Sentava torto na posição que lhe fosse mais confortável.&amp;nbsp; Na volta do trabalho passando pela estrada encontrou uma flor. Ela lhe sorria graciosamente. Cintilava em suas cores, e dizia em uma voz doce só ouvida pelos mudos: “toma-me, toma-me”. Ele a pegou, vigiando por sobre os ombros, assustado, colocou-a com um tanto de terra em um saco plástico e carregou até sua casa. Lá chegando a retirou do saco e colocou-a em um vidro de conserva que tinha guardado. Colocou-a sobre a mesa e ficou a olhar. Durante horas nada passou, até que vieram os homens de terno cinza, gravata e chapéu. Ele não sabia como se livrar da planta. Resolveu correr e atirá-la na lata de lixo. Os homens invadiram a casa e o espancaram tanto, tanto, que logo ele estava quase fora de si. E como das outras vezes lhe gritavam: “Quem te ama? Quem te ama, seu merda?”. Com suas últimas forças ele emitiu um gemido, que foi interpretado pelos homens de terno cinza como um “Ninguém” e era isso mesmo que queria dizer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Veio a ambulância e o levou, mas desta vez não tinha conserto. Ficou deitado numa cama de enfermaria esperando a hora de sua morte. Tinha apenas um olho, entre-aberto, a pequena bilha negra brilhava à luz fria do ambiente. Uma enfermeira se aproximou e olhou. Se reclinou sobre seu corpo e sussurrou no seu ouvido: "ninguém". Ele fechou seu olho e morreu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-5857175753715940972?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/5857175753715940972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=5857175753715940972' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/5857175753715940972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/5857175753715940972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/12/ele-recebeu-cartas-de-amor-pela.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-6800266388420899094</id><published>2009-12-19T11:38:00.000-08:00</published><updated>2009-12-19T11:38:16.162-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ela o encontrou sentado em um banco de praça. Ele não a viu, continuou olhando para frente sem dar conta de sua presença. Ela sentou-se ao seu lado. Ele não virou o rosto, continuou olhando em frente, mirando o horizonte. &lt;br /&gt;Ela lhe perguntou: "o que você vê?" - e um segundo após terminar a pergunta percebeu que ele era cego. Ele a respondeu assim:&lt;br /&gt;"Vejo o céu pipocado de nuvens na alvorada, todo rosado. Vejo no campo verde as ninfas correndo a buscar abrigo nos bosques, na sombra das árvores. Também correm os centauros ribombando o chão com seu galope, como se a terra fosse tambor.&lt;br /&gt;Na rua de pedras o trabalhador desce, já com a pele lustrosa do calor da manhã. Leva na mão seu almoço embrulhado e em seu cinto as ferramentas da obra.&lt;br /&gt;Um fauno com seu sorriso malicioso o convida para uma partida de cartas antes que o sol venha também expulsá-lo para os bosques. Queria enganar o homem mas este não o escutou, pois já era cristão e agora ele só era enganado por seu patrão, seu pastor, seu magistrado - não jogava mais com os faunos, não dançava mais com as ninfas, não bebia com os leprechauns. Assim como eu não posso mais enxergá-la, mas consigo ouvir-te e sei que está sentada ao meu lado soprando lembranças no meu coração."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-6800266388420899094?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/6800266388420899094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=6800266388420899094' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/6800266388420899094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/6800266388420899094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/12/ela-o-encontrou-sentado-em-um-banco-de.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-5572037874373612779</id><published>2009-12-12T13:19:00.001-08:00</published><updated>2009-12-12T13:20:25.715-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Tive um sonho de revolta e violência. Acordei agitado e rouco com a gritaria. Tive a certeza de que ela não voltaria e isso me trouxe paz. Resolvi fumar um cigarro por que lembrei que ele espalha a dor do peito para todo o corpo, trazendo desânimo e náusea mas fazendo com que me sentisse mais digno e não apenas ridículo e envergonhado. Apago a luz para que me veja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-5572037874373612779?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/5572037874373612779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=5572037874373612779' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/5572037874373612779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/5572037874373612779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/12/tive-um-sonhos-de-revolta-e-violencia.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-8864789740336625759</id><published>2009-12-08T15:28:00.003-08:00</published><updated>2009-12-08T18:25:59.973-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;meta content="text/html; charset=utf-8" http-equiv="Content-Type"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Word.Document" name="ProgId"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Generator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;meta content="Microsoft Word 12" name="Originator"&gt;&lt;/meta&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_filelist.xml" rel="File-List"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_themedata.thmx" rel="themeData"&gt;&lt;/link&gt;&lt;link href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5CLeonardo%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtmlclip1%5C01%5Cclip_colorschememapping.xml" rel="colorSchemeMapping"&gt;&lt;/link&gt;    &lt;m:smallfrac m:val="off"&gt;    &lt;m:dispdef&gt;    &lt;m:lmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:rmargin m:val="0"&gt;    &lt;m:defjc m:val="centerGroup"&gt;    &lt;m:wrapindent m:val="1440"&gt;    &lt;m:intlim m:val="subSup"&gt;    &lt;m:narylim m:val="undOvr"&gt;   &lt;/m:narylim&gt;&lt;/m:intlim&gt; 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 &lt;/m:defjc&gt;&lt;/m:rmargin&gt;&lt;/m:lmargin&gt;&lt;/m:dispdef&gt;&lt;/m:smallfrac&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Primeiro foi a curiosidade ingênua e o zelo reverente. Depois veio uma beleza insuportável que me torturou e entorpeceu. Daí nasceu o verbo - da vontade de expressar o que a beleza havia produzido em mim. Em seguida veio a vontade de falar sem haver palavras para isso. Assim se produziu o silêncio. O silêncio não tinha lugar, como o choro compulsivo da criança que é vontade de existir. Existiu em meus pensamentos, diálogos intermináveis pontuados por afeto. Enfim calou-se em meus pensamentos. Hoje lhe escrevo cartas sem remetente e sem destinatário, em que conto coisas sobre a textura do céu e as bochechas da lua.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;O resto é desencontro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-8864789740336625759?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/8864789740336625759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=8864789740336625759' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8864789740336625759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8864789740336625759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/12/primeiro-foi-curiosidade-ingenua-e-o.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-3535130094281953656</id><published>2009-12-08T15:03:00.000-08:00</published><updated>2009-12-08T15:04:45.836-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto ele fazia cafuné na grama sentiu o hálito fresco de crocodilo se desprender do solo quente. Se esforçou para não lembrar de nada, mas era inevitável. A sombra já cobria o seu rosto resfriando a gota de suor e os filetes de sol já eram ruivos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentiu seu estômago embrulhar e a náusea se apoderar do seu corpo. Vinha subindo do estômago pelas cavidades, escalando pacientemente as paredes internas, milímetro por milímetro, se esgueirando pelos tubos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixou o corpo cair gentilmente para trás, não havia mais o que fazer. Agora, ela que o acariciava, acelerando o processo.. Da sua bocarra aberta surgiram os primeiros ramos do que seria uma frondosa árvore. As raízes se expandiram violentamente estraçalhando seu corpo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confortável, postado, seus dedos se enterravam nos cabelos verdes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-3535130094281953656?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/3535130094281953656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=3535130094281953656' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/3535130094281953656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/3535130094281953656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/12/enquanto-ele-fazia-cafune-na-grama.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-4533930510962101624</id><published>2009-12-01T18:13:00.001-08:00</published><updated>2009-12-02T15:07:37.370-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os sonhos não têm hora para vir, mas também não têm hora para ir embora. Queria dizer isso, mas não sabia como. Não havia palavra, e como dizem, a coisa vale por aquilo que ali não deveu caber. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senil, sentado na soleira da porta, se lembrou de como era, e os olhos não mais enxergavam - a nuvem branca se apossara de todo o horizonte. Apenas uma claridade fosca o alcançava. Sentiu uma mão no seu ombro e levantou a sua própria ao encontro, mas era vazio. O calor repousado em seu ombro o fez lembrar de como deveria ser. Lembrava agora dos seus sonhos, que nunca vieram e nunca se foram. Arrependeu-se por ter apenas sonhado. Era ingrato. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O corpo mole pendeu e caiu, e não sentiu o peso de seus ossos no chão. Sempre quis se soltar e ser sustentado no ar, mas nunca houve ninguém para segurá-lo. Se elevou e sentiu o ar fresco das altitudes superiores. Estava nos braços do anjo que ele esperou a vida toda.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finalmente leve se foi e não sabia se acordaria dali a pouco com a dor do peso dos ossos. Sua desconfiança fez pesar o peito. Pesava e doía forçando a palavra nos seus lábios: "saudade". &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia palavra que em língua arcaica significava ausência do presente. Era a palavra dos exilados, dos velhos, e com eles calou quando se tornaram ausentes. Esse verbete arcano ecoava do início dos tempos, pulsando silêncio. Sem tempo surgiu, sem tempo se foi. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não estava mais só, estava acompanhado da morte, seu último portador. Morria a saudade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-4533930510962101624?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/4533930510962101624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=4533930510962101624' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/4533930510962101624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/4533930510962101624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/12/os-sonhos-nao-tem-hora-para-vir-mas.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-4410419237130272984</id><published>2009-12-01T18:10:00.001-08:00</published><updated>2009-12-01T18:16:45.108-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele não sabia como sair, suas mãos apalpavam o vazio e era sólido como rocha. Em sua expressão desespero, e as pessoas em volta riam, morriam de rir. Alucinadamente apalpava o teto e as paredes, e angustiado sentia o espaço diminuir. Morreria esmagado. O espaço apertava e ele já sentia a asfixia. Os risos aumentavam, abafavam seu grito. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele gritava e ninguém ouvia, pudera, não saía som de sua boca. Não tinha voz, apenas gestos. E com seus gestos cada vez mais acelerados tentava inutilmente conter à força o avanço das paredes e do teto em sua direção. Estava cada vez mais apertado. E as gargalhadas se tornaram estrondosas, histéricas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim, sem poder se mexer, se comprimia em um espaço mínimo. Seu corpo tomou a forma de uma caixa perfeita, retangular. Mais um pouco o espaço se fechou e “crec”, estalou seu pescoço. Gargalhadas sem fim, as crianças apontavam e se divertiam sem soltar seus balões de hélio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estirado no chão, sem ninguém saber, diante de aplausos efusivos, jazia o mímico, morto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-4410419237130272984?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/4410419237130272984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=4410419237130272984' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/4410419237130272984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/4410419237130272984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/12/ele-nao-sabia-como-sair-suas-maos.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-7205452250323088811</id><published>2009-11-29T15:38:00.001-08:00</published><updated>2009-11-30T04:37:21.493-08:00</updated><title type='text'>As palavras são outras.</title><content type='html'>De repente ouviu-se todas as palavras do mundo de uma só vez, em um silêncio estrondoso. Eram também todas as vozes, e soavam como a nota final de um concerto - em um pequeno instante, um "ão". Acordou assustado e tentou correr para salvar alguma coisa diante da máquina de escrever, mas foi tarde, escorreu tudo de uma vez - balde d'água inesperado. Estranhava que não houvesse palavra longa ou curta, vozes ou fonemas agudos e graves, era tudo assim, um grande "ão" disfônico porém em unísono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo continuou em silêncio depois disso, o gato na lata de lixo, o caderno repousado sobre a mesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-7205452250323088811?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/7205452250323088811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=7205452250323088811' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/7205452250323088811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/7205452250323088811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/11/as-palavras-sao-outras.html' title='As palavras são outras.'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-5065050011191739258</id><published>2009-11-29T15:38:00.000-08:00</published><updated>2009-11-30T06:56:35.623-08:00</updated><title type='text'>Marcia</title><content type='html'>Marcia foi um sonho bom que acabou em Março.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-5065050011191739258?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/5065050011191739258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=5065050011191739258' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/5065050011191739258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/5065050011191739258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/11/marcia.html' title='Marcia'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-8238315082592777936</id><published>2009-11-29T03:17:00.001-08:00</published><updated>2009-12-02T16:12:34.885-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ele saía todos os dias para trabalhar, quase de madrugada. Pegava um ônibus e um trem, viajava horas. E não voltava mais. De noite em casa tentava ficar acordado o máximo possível por que sabia que se dormisse, não voltaria mais.&lt;br /&gt;No trabalho às vezes era sonâmbulo e às vezes desperto e violento, mas quando saía de lá, não voltava mais. Falava pouco, e os colegas de trabalho pouco o conheciam, só tinham a certeza de que estaria lá no dia seguinte por que ele nunca faltava ou se atrasava. Ele era assim por que sabia que nunca voltaria.&lt;br /&gt;Com os amigos era diferente, mas pouco os via. Não costumava retornar ligações, e quando os encotrava conversava efusivamente ou calava-se encarando-os como estranhos. Os amigos diziam “um dia ele vai embora, e nunca mais vai voltar”. Mas ele sempre voltava, ele sempre estava lá. &lt;br /&gt;Sentiu-se especial certa vez, pensou que poderia ser quem quisesse, qualquer um e todos. De rosto branco com pó e maquilagem encenava coisas que não viraram peças. Pediu um violão para fazer músicas e elas eram simples e suaves, pareciam nem existir. Nunca existiram.&lt;br /&gt;Não gostava de aprender coisas, pensava que iriam contaminá-lo. Queria manter sua mente pura e limpa para criar. Tudo que se aproximasse de sua índole ele afastava com asco, não queira imitar. Imitava como ninguém, podia fazer cópias tão perfeitas que ninguém saberia distinguir o original do falso. Não criava nada.&lt;br /&gt;Tinha um sonho de viajar para longe, viver no campo isolado de todos, cercado apenas de animais e plantas sem precisar voltar. Ou ser vigia de um faról em um lugar ermo, onde pudesse se concentrar em si e no que tivesse para contar. Ou pescador, vivendo simples, só peixes e com o mar. Se pegasse um barco não ia mais voltar.&lt;br /&gt;Um dia ele foi fumar na janela com o corpo metade pra fora, para não esfumaçar a casa. Caiu, e não voltou mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-8238315082592777936?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/8238315082592777936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=8238315082592777936' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8238315082592777936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8238315082592777936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/11/nunca-mais.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-498023462221161233</id><published>2009-11-24T17:03:00.000-08:00</published><updated>2009-11-24T17:06:08.195-08:00</updated><title type='text'>Viver é miragem.</title><content type='html'>&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; 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Tremulando o sorriso atraente trouxe os homens nas suas caixas de metal, balançando. Balançando minhas vestes os envolvi no meu encanto. Mudo de lugar na minha dança surreal. Assovio doce. Mastigo devagarinho as bordas do caminho dos meus homenzinhos. Quando estão chegando desapareço e lhes entrego a barra do meu vestido espumante, esvoaçante. Acaricio o rosto dos meus noivos e os coloco pra dormir em meu colo. É doce morrer no mar.&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-498023462221161233?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/498023462221161233/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=498023462221161233' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/498023462221161233'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/498023462221161233'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/11/viver-e-miragem.html' title='Viver é miragem.'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-2398332209865063373</id><published>2009-11-08T15:39:00.001-08:00</published><updated>2009-11-08T18:58:30.960-08:00</updated><title type='text'>Saga</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu corpo tombou pesadamente sobre o chão da floresta. Fui arrastado até as margens do grande rio caudaloso e atirado na água. Meu corpo flutuou como uma jangada e foi arrastado correnteza abaixo. Fui me chocando com outros corpos, todos boiando rio abaixo até chegar em um ponto em que fomos recolhidos.&lt;br /&gt;Descansamos à beira do rio, secando ao sol. Amarraram-nos aos montes, em pilhas gigantescas. Vieram muitos caminhões para nos carregar. Eu fui em um destes caminhões com muitos outros corpos empilhados, e estavamos ainda um pouco ensopados. Solavancos na estrada, pude sentir tudo até a parada do caminhão. Havíamos chegado. Apenas um caminhão chegou, os outros não sei para onde foram.&lt;br /&gt;Era uma fazenda, nós descemos do caminhão para trabalhar cortando cana. Tínhamos apenas o de comer e onde dormir e todo nosso trabalho não era suficiente nem para pagar isso. Éramos reféns. Um dia um de nós tentou fugir e foi baleado. Tombou no chão de barro. A plantação estava cercada de homens armados e de chapéu. Mal podíamos vê-los. Raramente eram flagrados.&lt;br /&gt;Mesmo que alguém conseguisse escapar estaria perdido. Fomos levados de caminhão e não sabíamos onde estavávamos nem o caminho de volta. Quem conseguisse passar da barreira invisível de balas ficaria perdido no cerrado até ser encontrado pelos homens de chapéu, e todos tinham medo do que fariam então.&lt;br /&gt;Um dia um teve uma idéia. Diante do desespero descobriu que a rota de fuga era a terra. Ficou de cabeça para baixo, com as mãos plantadas no chão, equilibrando o corpo na vertical. Assim, no meio do canavial, plantou bananeira. Olhamos todos, descrentes da solução. Um barulho e desviamos o olhar por um segundo. Quando olhamos de volta, não havia ninguém lá, só pés de cana. Trabalhamos o dia inteiro, cortamos toda a cana daquela área e ele não voltou a aparecer. Não sei para onde ele foi.&lt;br /&gt;À noite veio a gritaria e as ameaças. Onde ele estaria? Desespero dos capatazes, ódio do encarregado, descrença e violência. Pagamos pelo sumiço do nosso amigo. Menos um, outro não resistiu ao espancamento e virou semente.&lt;br /&gt;Só havia uma saída, a terra. Um a um fomos sumindo. Plantando bananeira e sumindo no meio do canavial. O trabalho se multiplicava por que a quantidade de trabalhadores diminuía. Os capatazes desistiram, aceitaram a situação. Era um mistério, ninguém sabia para onde eles tinham ido. Tive medo e não quis acompanhar, fiquei pro trabalho.&lt;br /&gt;Um dia fomos liberados. Poucos sobraram. Vim parar com meu dinheiro mirrado na maior cidade do mundo. Lá onde existem todos os rostos do planeta. Entrei em uma lanchonete e pedi um pastel com caldo de cana. A cana entrou na máquina de espremer, mas o caldo que saiu do outro lado era vermelho e viscoso.&lt;br /&gt;Na extremidade oposta do balcão um jovem com olhos para o diferente percebeu e foi tomar nota do ocorrido. Do seu lápis não saía grafite negro mas vermelho sangue. Nos entreolhamos – eu baiano e ele paulistano – e entedemos. Encontramos nossos irmãos perdidos na viagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-2398332209865063373?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/2398332209865063373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=2398332209865063373' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/2398332209865063373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/2398332209865063373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/11/saga.html' title='Saga'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-7723863276076188479</id><published>2009-11-07T05:55:00.000-08:00</published><updated>2009-11-07T06:07:46.755-08:00</updated><title type='text'>O mesmo.</title><content type='html'>O mesmo. Sempre, sempre um poste. Desejando ser mais forte. Pende na longitude. Não é sabido que segreda-se em vergalhão. Parado, mijado, recosto, esconderijo. O carro é seu perigo. Nos cabelos o fio - terra no cú. Não serra, não serra, não é árvore. Se encerra entre o calçamento e o pombo. Perde na sua desatenção. Não lembra quantos anos tem. Ninguém comemora seu aniversário. De vez em quando se apóia em uma velha. Roça nas costas das namoradas, e as vezes sustenta os namorados, revezando-se. Fala com os loucos e escuta os mendigos. Usa uma pochete de plástico cheia de porcarias - e os mendigos as investigam. Ruboriza nos engarrafamentes, é muito reservado. Morreu enforcado em uma corda. Mas continua de pé, sustentado pela corda. Milhares deles, todos enforcados em fileira. Todos na mesma corda. Estão secando da lavagem. Se amarram nos cavalos, sempre, sempre. A esmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-7723863276076188479?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/7723863276076188479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=7723863276076188479' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/7723863276076188479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/7723863276076188479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/11/o-mesmo.html' title='O mesmo.'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-2334991932806568214</id><published>2009-08-31T13:42:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T19:05:08.649-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Os seus sapatos o denunciavam. Óbviamente não pertenciam a ele. E não por acaso eles eram o que havia de mais próximo da terra – aquele tudo que não era dele. A terra era verde e a sola era marrom de couro. A lama negra unia os dois fazendo um contínuo do seu corpo com o chão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Solidão. Do tipo que apenas uma árvore pode experimentar. Solidão e silêncio precederam sua fusão com o chão. Afundava sem perceber; a lama já alcançava sua canela. Já não tinha mais sapatos, mas sim grama até os joelhos. N’olhar a luz refletia. O sol não incomodava mais suas retinas, retumbava no fundo do crânio – caixa oca. Casca oca.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;     – Hora do remédio, 2212!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Seu olhar despertou e fitou sem expressão a mulher de branco que lhe estendia uma cápsula metade vermelha, metade azul. Olhou para a mão estendida. Tornou a olhar para o rosto sem  vida da estátua de touca. A cápsula foi atirada em sua boca seguida de uma enxurrada de água. Sentiu sono, deitou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Seu corpo foi carregado até seu quarto e devidamente atado à cama. Temiam que durante a noite, em momento de descontração trazido pelo sono, seu espírito flutuasse e vagasse pela aí. Era sabido de todos os residentes que durante o dia ele era árvore e que à noite se transmutava em pássaro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     De novo o sapato, de novo a terra, de novo o couro, de novo a grama, de novo a lama. Depois pássaro engaiolado. E assim sucessivamente os dois estados se revezavam. Dia após dia, após noite, após dia.  Se ao menos pudesse tocar a terra com a planta dos seus pés descalços. Mas não sabia desfazer os nós dos seus sapatos – principalmente pelo fato de que aqueles sapatos não eram seus. Não pertenciam a ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Um dia ele engasgou e cuspiu. Denovo. Engasgo e cuspe. Denovo, dessa vez com força, tampam-lhe a boca. Vômito. Tudo de volta de seu estômago e garganta. A capsula azul e vermelha não descia. Não tinha culpa, tinha sido um nó na sua garganta. Um nó que ele não tinha feito e por isso não saberia desfazer. Injeção, no seu braço, na sua veia. Pronto, passou, veio o sono deitou-se e dormiu. Foi atado à cama para não voar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Noutro dia outro nó. Nem tentaram desfazê-lo a força, usaram logo a injeção. Sentiu sono, dormiu. Mas seu corpo deu um nó, os membros se contorceram, tornaram-se rijos. Sentia muita dor no estômago, mas não conseguia acordar. Ninguém conseguia amarrá-lo à cama por causa da posição dos seus membros enroscados. Não conseguia desfazer o nó, não tinha sido feito por ele, mas sim pela dor. De repente parou, ele relaxou e se esticou. A dor foi substituída por um calor aconchegante que subiu do estômago para sua cabeça e se espalhou pelos membros que relaxaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Dormiu relaxado, o melhor sono de sua vida. Não foi necessário amarrá-lo dessa vez. Em vez disso o colocaram em uma caixa e colocaram a caixa de baixo da terra. Fazia sol, mas ele ainda dormia. Sem árvore hoje, apenas pássaro ainda. Ele queria assoviar, é isso que fazem os pássaros, mas não havia ar na caixa nem espaço. Ele não conseguia abrir a caixa, por que não havia sido fechada por ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Olhou para baixo, viu seus sapatos e sentiu tristeza por que não eram dele. Tinha muito o que caminhar, sentiu preguiça porque não queria caminhar. Queria afundar no chão como fazia antigamente. Mas não podia afundar por que seus sapatos estavam amarrados de maneira errada. Estavam amarrados um no outro e como não havia sido ele que tinha feito esse nó teria de esperar que viessem os homens com machados para cortá-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Fechou os olhos e virou um pássaro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-2334991932806568214?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/2334991932806568214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=2334991932806568214' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/2334991932806568214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/2334991932806568214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/08/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-147306477801950711</id><published>2009-08-17T20:52:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T20:56:29.075-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O tempo já não passa mais como quando era nós dois&lt;br /&gt;Os dias se arrastam nas cenas do cotidiano&lt;br /&gt;E termina mesmo antes de começar de novo, um outro&lt;br /&gt;Depois, não quero mais perder&lt;br /&gt;Depois, não quero esquecer&lt;br /&gt;o depois que depois não vai mais ser&lt;br /&gt;Nem eu, nem você&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-147306477801950711?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/147306477801950711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=147306477801950711' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/147306477801950711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/147306477801950711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/08/o-tempo-ja-nao-passa-mais-como-quando.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-6542114106508534227</id><published>2009-07-19T19:47:00.000-07:00</published><updated>2009-07-19T19:53:53.856-07:00</updated><title type='text'>Filmes</title><content type='html'>Os melhores filmes que assisti foram os que eu esqueci. São aqueles dos quais não lembro o roteiro, nem os personagens, nem as falas. São filmes que sumiram da minha memória. De vez em quando em algum lugar estranho imagens me assaltam trazendo a sensação de familiaridade. Essas imagens saídas de filmes esquecidos estão impressas no mundo e não na minha memória e por isso me assaltam quando não estou em mim. Os melhores filmes que assisti são feitos da matéria dos sonhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-6542114106508534227?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/6542114106508534227/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=6542114106508534227' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/6542114106508534227'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/6542114106508534227'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/07/filmes.html' title='Filmes'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-1380512074969710171</id><published>2009-06-06T09:44:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T09:45:13.784-07:00</updated><title type='text'>Sono</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Toda noite dormida é a morte de um estado. É um &lt;i style=""&gt;reset&lt;/i&gt; do computador. A consciência frágil, que mal suporta a continuidade durante a vida desperta, fraqueja fragorosamente durante o sono. Acordo outro, instrumento desafinado, máquina fria. Essa sobrevida sonâmbula que levo nas madrugadas diante da tela, cansado demais para pensar, disperso demais para manter uma atividade é o esperneio desesperado de uma personalidade moribunda. Quando durmo mudo, acordo sem saber quem eu sou, o que desejo, quais meus objetivos, qual meu humor, qual meu caráter. Até a hora de dormir de novo vou me inventando, para depois, exausto, me apagar novamente. Não me lembro o que eu queria ser a uns instantes atrás, não me lembro o que achava repugnante e impraticável. Admiração e ódio trocam de lugar sem eu saber, sem eu sentir. Não posso dormir, não posso, se não serei enganado.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-1380512074969710171?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/1380512074969710171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=1380512074969710171' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/1380512074969710171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/1380512074969710171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/06/sono.html' title='Sono'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-4373765109635995514</id><published>2009-06-04T18:33:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T14:01:17.520-07:00</updated><title type='text'>Central do Brasil</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Às vezes eu penso que uma vida comum é tudo que eu preciso para ser feliz. Uma casa no subúrbio, um dia de trabalho cansativo e uma esposa me esperando a noite para amainar minhas dores. Trataria um prato de comida como um milagre e um beijo amoroso como uma dádiva. Mas quando passo na Central eu vejo o avesso da minha fantasia. Nenhum daqueles rostos me parece feliz, nenhum satisfeito ou sereno. Antigamente, não compartilhar dessa ilusão de uma vida comum e feliz fazia com que eu me sentisse superior a toda essa gente circulando feito zumbis. Agora, atestar a inexistência da minha fantasia no olhar abatido deste gado humano não me faz sentir muito melhor que eles.&lt;br /&gt;A sobriedade de uma vida sem ilusões tambem já foi meu analgésico. Encarar com dignidade minha condição coletiva, meu sacrifício compartilhado no meio desse povo massacrado. Ser um deles sem me sentir especial por estar em uma fantasia de mediocridade satisfatória, de alegria caseira. Não buscar uma fuga pra minha miséria. Me sentir especial por não ser especial, por ser mais um pedaço de carne sendo transportado de um lado para o outro nessas máquinas enormes e infernais com cheiro de óleo queimado. Me sentir digno por, desiludido, compartilhar dessa tragédia coletiva.&lt;br /&gt;Mas não hoje. Hoje as fantasias de felicidade caseira estão em falta, e o sentimento romântico de superioridade por minha desilusão solitária se perde na memória do passado. Nem minha dignidade de massacrado, de quem teve sua individualidade extirpada, usurpado como todos os trabalhadores, coletivizado forçadamente pelas circunstâncias do mundo - nem essa dignidade me resta hoje. Não, não hoje. Hoje são eles que olham dentro de mim e não vêem nada. Hoje o zumbi sou eu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;São 5 horas e 47 minutos da manhã no relógio da Central, meu trem está prestes a partir e o dia só está começando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-4373765109635995514?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/4373765109635995514/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=4373765109635995514' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/4373765109635995514'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/4373765109635995514'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/06/central-do-brasil.html' title='Central do Brasil'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-7216003530909417431</id><published>2009-05-26T18:29:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T18:51:09.802-07:00</updated><title type='text'>Humano</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Um homem arruinado ainda mantém sua dignidade. A derrota não tem nenhum atrativo, apenas a gratuidade do ser derrotado. Cansado, abatido, equivocado, com o coração envenenado, o corpo repousa fora da contenda. O boxeador que ouve a contagem ao longe, e deseja que a noite acabe para poder voltar para casa. A compaixão é menos pior que a indiferença, mas ainda assim é mortificante. Na utopia-yuppie a compaixão se esvaiu, não há lugar para os vencidos, não há por que se identificar com eles, a menos que você seja um deles. E essa não é posição que se escolhe, essa é posição que se assume por contingência da vida. O vencedor tem um lugar no mundo, ele é o dono do mundo. O derrotado não, a ele só resta o não-lugar. Se um homem derrotado mantém sua dignidade ele não está sozinho. Não terá minha compaixão, mas sim minha admiração, meu amor, minha paixão...&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-7216003530909417431?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/7216003530909417431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=7216003530909417431' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/7216003530909417431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/7216003530909417431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/05/um-homem-arruinado-ainda-mantem-sua.html' title='Humano'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-1804066946784963132</id><published>2009-04-28T19:01:00.000-07:00</published><updated>2009-09-02T18:47:35.667-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quantas belas mulheres&lt;br /&gt;meus olhares incomodam&lt;br /&gt;nos coletivos, nas ruas&lt;br /&gt;nos bares, nos sonhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre ingenuidade&lt;br /&gt;fingida maculada&lt;br /&gt;meus olhares devassam&lt;br /&gt;sem pudor, sem máscara&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de mil individualidades&lt;br /&gt;preciosas privacidades&lt;br /&gt;que meus olhares rasgam&lt;br /&gt;sem dó nem piedade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que toda a agressividade&lt;br /&gt;deste terrível olhar&lt;br /&gt;é rejeitada ao buscar&lt;br /&gt;virgindade nos rostos&lt;br /&gt;e não nas nádegas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-1804066946784963132?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/1804066946784963132/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=1804066946784963132' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/1804066946784963132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/1804066946784963132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/04/xavecando-hilda-hilst.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-3069271901591185114</id><published>2009-04-13T20:22:00.000-07:00</published><updated>2009-04-14T16:53:39.973-07:00</updated><title type='text'>Jogo do Confuso</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O jogo do confuso se joga em um lugar com muitas pessoas, como numa mesa de bar por exemplo. Funciona melhor se forem pessoas conhecidas, mas o mais importante é que estejam conversando. Se o jogador conhecer bem o suficiente essas pessoas, ou nem tão bem assim, mas o bastante para prever as reações à determinadas falas, ele já está pronto para jogar.&lt;br /&gt;Quando a conversa começar a rolar o jogador observa bem os outros participantes: os assuntos que estão na mesa, quem se dirige mais a quem, que assuntos que envolvem cada participante de maneira mais ativa, quem quer ouvir qual assunto de quem, e quem é abandonado a falar sozinho seja lá qual assunto esteja falando. Enfim, nesse primeiro momento é feito um levantamento de temas, opiniões dentro dos temas, e afetos presentes no grupo.&lt;br /&gt;Depois dessa primeira fase de observação, você começa a jogar confuso. O jogo consiste em jogar falas e argumentos sem se preocupar com a comunicação. O jogador que tentar se comunicar com alguém, fazer-se entender de alguma forma, ou se sentir compreendido está automaticamente desqualificado. O objetivo do jogo (se é que ele existe) é jogar com os afetos e opiniões na mesa sem ter nenhuma intenção clara de onde se quer chegar.&lt;br /&gt;As falas devem de tempo em tempo cortar as conversas visando mudar de assunto, ou dividir a mesa em 2 grupos temáticos ou afetivos. Expor opiniões de outros, colocando-os em situações em que eles sejam obrigados a isso também é uma jogada muito comum. Isolar participantes dos assuntos correntes na mesa fazendo com que eles comecem a falar coisas ainda mais pessoais para assim ganhar relevo e voltar a se comunicar também é válido, afinal o jogo envolve assuntos e afetos. Vale também trocar de lugar ou se ausentar por uns momentos para embaralhar as conversas.&lt;br /&gt;Se o jogador conseguir perceber o que prende a sua atenção ele perdeu por que não se confundiu. Todos os outros participantes não sabem que estão jogando, por isso é um jogo de um só jogador.&lt;br /&gt;Divirta-se&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(Aviso: só jogue confuso com pessoas que não vão achar que você é maluco)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-3069271901591185114?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/3069271901591185114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=3069271901591185114' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/3069271901591185114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/3069271901591185114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/04/jogo-do-confuso.html' title='Jogo do Confuso'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-2985619424632028369</id><published>2009-04-04T09:42:00.000-07:00</published><updated>2009-04-04T09:44:07.529-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Quando você observa o movimento das árvores pode perceber que a vida é infinita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ingênua claridade de Março&lt;br /&gt;a luz de manhã na cortina esvoaçante&lt;br /&gt;é o ar fresco das chuvas passadas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-2985619424632028369?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/2985619424632028369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=2985619424632028369' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/2985619424632028369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/2985619424632028369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/04/quando-voce-observa-o-movimento-das.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-3770851644362133299</id><published>2009-02-25T07:40:00.000-08:00</published><updated>2009-09-09T19:37:27.078-07:00</updated><title type='text'>Rosileide</title><content type='html'>&lt;h3 style="text-align: justify;"&gt;&lt;a name="1323638832769672039"&gt;&lt;/a&gt; &lt;/h3&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Rosileide era uma mulher completamente sozinha na vida a não ser por sua filha. Tudo que uma tinha no mundo era a outra. Viviam em um casebre muito pobre de paredes de tijolo sem reboco, cercadas por um terreno de mato alto e entulho. A miséria era tanta que abatia o espírito, extenuava a alma e anestesiava o coração. A situação, por mais terrível que fosse, era pra ser suportada. Afinal, que escolha se tem se suas funções fisiológicas ainda estão operantes? Não há nada a fazer, apenas continuar vivendo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Todo quadro deplorável tem seu lugar na galeria da resignação, e assim, Rosileide conseguiria permanecer nessa pobreza a sua vida toda se não fosse por sua filha. Nem toda miséria do mundo é suficiente para um coração solitário. Sozinha uma pessoa pode aguentar a situação mais degradante por anos a fio. A única coisa necessária é não ser obrigada a encarar outro ser humano. O anonimato é necessário.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Mas nem isso Rosileide tinha. Sua filha, como toda criança, ainda mais sozinha no mundo que era, se agarrava a mãe com todas as suas forças e afeto. E a mãe só tinha cabeça, coração e músculos para a sua filha. Sufocante, nauseante, essa relação.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Rosileide sempre fôra sozinha no mundo. Todas as pessoas que passaram por sua vida foram breves. Inconstância nos relacionamentos e solidão, para isso Rosileide estava preparada. Mas pra uma filha não. Não bastasse todo o peso do mundo, não bastasse viver cercada por uma paisagem de zona de guerra, toda a pobreza, miséria, calor, feiura e fedor que essa terra podia produzir, ainda teria que suportar outro ser humano constantemente presente, cuidar de sua subsistência e relacionar-se afetivamente com ele? Era muito mais do que podia suportar. Toda hora um pensamento assaltava a cabeça de Rosileide. O pensamento de que se a culpa da miséria não era de sua filha, com certeza a situação seria melhor se tivesse uma boca a menos para alimentar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A miséria também tem esse efeito, ela redimensiona todas as coisas. Coisas insignificantes tornam-se estupendas, e coisas fundamentais tornam-se detalhes minúsculos, imperceptíveis. Dessa forma tudo no dia-a-dia se torna um fardo insuportável, e toda a chance de salvação desta realidade putrefada escorre pelos dedos ou passa por debaixo do nariz sem ser percebida. A filha era para Rosileide hediondamente gigantesca, estava em todos os lugares e em todas as horas do dia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Como era completamente sozinha no mundo a levava para toda a parte. Desde a compra do material para os consertos de roupa que colocavam o dinheiro dentro da casa, até a entrega das roupas lavadas por encomenda debaixo do sol a pino. Moravam em um subúrbio poeirento e calorento distante do centro da cidade. Foi andando de trem uma vez que Rosileide percebeu um pequeno espaço para si mesmo durante o dia. Quando o trem estava lotado ela e sua filha tinham de sentar-se separadas, em outras vezes sua filha ia sentada enquanto Rosileide ia se equilibrando de pé e observando-a a distância. Era nesses pequenos instantes que Rosileide olhava a paisagem pela janela do trem, reparava nas pessoas, suas roupas, expressões, tentava adivinhar seus pensamentos, seus desejos, suas frustrações. Apenas nessa hora Rosileide era ela mesma, se sentia autêntica e não apenas uma sombra da filha. Sentia-se bem,  anônima numa multidão de pessoas cuja interioridade era indevassável.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;Mãe e filha, certa vez, sentaram-se separadas por causa da lotação do trem. Até que depois de algumas estações vagou um lugar próximo da menina e esta fez questão de chamar a mãe para sentar perto dela, mas Rosileide recusou-se. Nesse momento a filha entendeu um pouco do que representava o trem tanto para ela quanto para sua mãe. Os outros passageiros ao ver essa cena expressaram com suas feições o desagrado com o evidente desleixo da mãe. Não sabiam eles é que a filha não era uma preocupação pequena demais, e sim grande demais para ser suportada. Algumas vezes Rosileide até se fazia de distraída pra ver se alguém lhe prestava o favor de raptar a filha e livrá-la deste estorvo. Já havia pensado também em largar a filha na rua em uma de suas incursões ao centro da cidade, mas logo desistiu da idéia por considerar um abandono muito obsceno – um golpe grosseiro demais se comparado com a leve negligência no trem que poderia um dia terminar em rapto, se ela desse sorte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Afinal, deu-se o caso, e no trem seria. Rosileide, sentada distante de sua filha resolveu saltar em uma estação não dando tempo para a filha a acompanhar. A porta do trem fechou-se logo atrás das costas de Rosileide e ela começou a caminhar em paralelo à linha sem olhar para o vagão. Manter seus olhos fixos na linha amarela pintada no chão da estação exigia de Rosileide um esforço sobre-humano. Finalmente cedeu, e olhou pela janela do vagão. Rosileide viu passar no olhar de sua filha uma infinidade de estados de espírito – eles desfilavam apressados na velocidade da luz, como o dizer de muitas coisas quando não se tem tempo o suficiente. De toda a diversidade Rosileide conseguiu distinguir apenas alguns estados: pavor, tristeza, desolação, resignação, e por fim compreensão. Algo nos genes de sua filha, ou no inconsciente registrado como herança de milhares de gerações passadas faziam com que a menina compreendesse a vida. Rosileide despreocupou-se. Sua filha estava agora no mesmo lugar em que ela estivera há muitos anos atrás – e a menina saberia, assim como ela soube o que fazer. Com o tempo é até bem provável que se acostume com a solidão e veja como tudo é mais fácil assim, sem ter que encarar outro ser humano. Com o tempo verá como é terrível ter que encarar outro ser humano. “É, ela vai saber se virar...” – pensou antes de tomar um ônibus para nunca mais.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-3770851644362133299?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/3770851644362133299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=3770851644362133299' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/3770851644362133299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/3770851644362133299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/02/rosileide.html' title='Rosileide'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-4745706517707920307</id><published>2009-01-14T14:25:00.000-08:00</published><updated>2009-01-14T14:30:50.383-08:00</updated><title type='text'>poesia tropiCAL</title><content type='html'>poesia pelos meus poros&lt;br /&gt;o sol não me deixa opção&lt;br /&gt;tampouco as lágirmas são voluntárias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;devaneios pedem passagem&lt;br /&gt;para a miragem brotar do chão -&lt;br /&gt;fantasia térmica, bruxuleante...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentidos mais ou menos indistintos sofrem fusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos trópicos não há espaço nem tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nós trópicos - sensação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-4745706517707920307?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/4745706517707920307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=4745706517707920307' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/4745706517707920307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/4745706517707920307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/01/poesia-tropical.html' title='poesia tropiCAL'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-9041745955810251733</id><published>2009-01-14T14:19:00.000-08:00</published><updated>2009-01-14T14:24:59.043-08:00</updated><title type='text'>Citê Soleil</title><content type='html'>Pássaros caídos&lt;br /&gt;caçadores à vista&lt;br /&gt;capacetes azuis&lt;br /&gt;essa é a pista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;voa passarinho negro&lt;br /&gt;alvejado no ninho&lt;br /&gt;se esconda em Citê Soleil&lt;br /&gt;se esconda debaixo do sol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os raios do sol te protegem&lt;br /&gt;sem formar gaiolas&lt;br /&gt;os raios de sol te esquentam&lt;br /&gt;sem o calor dos fuzis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;voa livre&lt;br /&gt;voa de volta pra casa&lt;br /&gt;voa livre&lt;br /&gt;sem medo de ser abatido&lt;br /&gt;sem medo, pássaro negro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-9041745955810251733?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/9041745955810251733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=9041745955810251733' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/9041745955810251733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/9041745955810251733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2009/01/cit-soleil.html' title='Citê Soleil'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-1538977873891435006</id><published>2008-12-21T21:10:00.001-08:00</published><updated>2008-12-21T21:10:30.406-08:00</updated><title type='text'>A pena e o chicote.</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: arial;"&gt;Um juiz deveria ganhar salário mínimo. Dessa forma seu contato com a lei seria diferente. Em vez de tocá-la na ponta de uma caneta, ele a sentiria na ponta de um chicote.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-1538977873891435006?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/1538977873891435006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=1538977873891435006' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/1538977873891435006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/1538977873891435006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2008/12/pena-e-o-chicote.html' title='A pena e o chicote.'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-7790870232216106905</id><published>2008-12-21T21:07:00.000-08:00</published><updated>2008-12-21T21:08:56.153-08:00</updated><title type='text'>A moldura do espelho</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Quando as pessoas se olham em um espelho seus rostos sofrem automática e inconscientemente um leve ajuste de modo a tomar ares nobres e se aproximar do belo. Se a aproximação é mais difícil, ou se o processo violenta por demais a realidade diz-se da pessoa que é feia ou deformada. Em geral, a aproximação é mínima, imperceptível, trazendo a imagem para mais perto do ideal estético em apenas um mísero grau na infinita escala. A imagem do deformado é suportável, ela também participa da ligeira distorção. O rosto perfeito, este sim, o único que não sofre modificação diante do olhar, é tão abominável, que ninguém suporta mirá-lo. É a própria imagem do horror&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-7790870232216106905?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/7790870232216106905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=7790870232216106905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/7790870232216106905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/7790870232216106905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2008/12/moldura-do-espelho.html' title='A moldura do espelho'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-8907364009211866851</id><published>2008-11-29T17:03:00.000-08:00</published><updated>2008-11-29T17:05:42.540-08:00</updated><title type='text'>Engarrafamento</title><content type='html'>Uma bacia de refrigerante&lt;br /&gt;no meio de monstros de ferro&lt;br /&gt;gritando:&lt;br /&gt;-É um real! É um real!&lt;br /&gt;Será real?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na rua uma garotinha&lt;br /&gt;me dá tchau&lt;br /&gt;Uma garotinha na rua&lt;br /&gt;Será real?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma bicicleta amarela&lt;br /&gt;Mais rápida que todas as feras&lt;br /&gt;Todas as feras que rugem em fila&lt;br /&gt;Fila imóvel&lt;br /&gt;Autoimóvel&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-8907364009211866851?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/8907364009211866851/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=8907364009211866851' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8907364009211866851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8907364009211866851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2008/11/engarrafamento.html' title='Engarrafamento'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-5043462996554920559</id><published>2008-11-18T18:29:00.000-08:00</published><updated>2008-11-18T18:31:53.551-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Uma idéia. Uma idéia que vire paragem. Uma idéia que tome passagem por mim e deságüe &lt;st1:personname productid="em papel. Que" st="on"&gt;em papel. Que&lt;/st1:PersonName&gt; tome paragem, vire passagem que não chegue &lt;st1:personname productid="em papel. Que" st="on"&gt;em papel. Que&lt;/st1:PersonName&gt; se perca no caminho de terra batida, estrada de chão solitária, no meio do nada, cercada por mato e capim, plantada no meio de cerca e mourão. Sol ressecado, insistente, penetra nos olhos e esquenta o cabelo, amarela o barro no chão. Caminho sem fim a trilhar, sem novo lugar, sem lugar pra chegar. Caminho, só caminho pra caminhar. Caminho por caminhar, por verdes caminhos de tímido capim no meio do caminho de terra batida barro e caminhar. Passar para lá, passos no chão ficam no cá. No meu campo solitário onde habitam as lembranças do meu caminhar. Devagar... devagar... devag....., deva......, dev......., d........., .................................................................................................................................&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-5043462996554920559?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/5043462996554920559/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=5043462996554920559' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/5043462996554920559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/5043462996554920559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2008/11/uma-idia.html' title=''/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-832099899547254969</id><published>2008-11-15T08:29:00.000-08:00</published><updated>2008-11-15T08:30:55.982-08:00</updated><title type='text'>Cabra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Meu pai me ensinou que caprino é gado de pobre. Bicho forte o suficiente pra virar sinônimo de dureza: cabra, cabra-macho. Come tudo, come espinho, come mato seco, come terra, come chão. Não passa fome nem morre seco, bicho sertanejo. A cabra é a comida dos palestinos, era a comida do menino Jesus e este mesmo era chamado de cordeiro. Viajava em lombo de jumento e vivia em zona árida, deserto de homens, caatinga do mato torcido e caminho santo. A fé sertaneja em si já é fato extraordinário, por que há mais de dois mil anos passa de pai pra filho, do filho pro neto, do neto pro bisneto... No meio do sertão, barro vermelho e secura, enquanto houver homem há cristão. Mas tem algo além da tradição que une esse povo do sertão ao homem-santo. São as cabras, é a secura da vida, é o mato torcido, é sacrifício e penitência do mundo, é a comunhão da experiência vivida. O sertanejo olha e vê com os olhos santos, a paisagem árida e o caminho da salvação. Isso tudo eu aprendi com meu pai.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-832099899547254969?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/832099899547254969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=832099899547254969' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/832099899547254969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/832099899547254969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2008/11/cabra.html' title='Cabra'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3426312650976541709.post-8957719510751395286</id><published>2008-11-15T08:07:00.001-08:00</published><updated>2008-12-09T07:57:06.373-08:00</updated><title type='text'>Aprendendo a andar.</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O céu estava em cima, bem em seu lugar, quando ele começou a andar. E foi andando e girando e o chão amolecendo, virando nuvem. E a cabeça doía, arrastando na calçada irregular, batendo nas fendas feitas pelas raízes das árvores. Ele esticou os braços e andou plantando bananeira sem nenhum esforço para se sustentar ou se equilibrar. E os dedos dos pés esticavam e enroscavam e nesse movimento atraíram passarinhos que ali pousaram. Os pelos das pernas cresceram, virando um tufo magnífico por efeito do canto encantado dos pássaros. Os dedos das mãos espicharam, tornando-se imensas cordas finas. E os braços de tanto roçar um no outro na andança começaram a mesclar-se, fundindo-se em um só tronco. Agora só conseguia andar graças aos dedos das mãos, longos e finos que se esticavam e puxavam o resto do corpo, até que cansados fincaram-se no chão. O sangue desceu pra cabeça e iluminando a visão pôde enxergar o horizonte dourado pela luz do sol. Um último bocejo inventou uma toca no meio do corpo delgado que se esticava verticalmente. Tinha desaprendido a andar, tornara-se uma árvore.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3426312650976541709-8957719510751395286?l=absortoemabsurdos.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/feeds/8957719510751395286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3426312650976541709&amp;postID=8957719510751395286' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8957719510751395286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3426312650976541709/posts/default/8957719510751395286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://absortoemabsurdos.blogspot.com/2008/11/aprendendo-andar.html' title='Aprendendo a andar.'/><author><name>Leoncio</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00754481368574394757</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
